O secretário de estado Marco Rubio. (Foto: Rede Social)


O governo dos Estados Unidos, sob a presidência de Donald Trump, revogou nesta quarta-feira (13) os vistos de Mozart Júlio Tabosa Sales, atual secretário de Atenção Especializada à Saúde do Brasil, e de Alberto Kleiman, ex-funcionário do governo federal e atual diretor da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA). A medida foi anunciada pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio, que acusou ambos de envolvimento em um esquema de trabalho forçado relacionado ao programa Mais Médicos.

Segundo Rubio, o Mais Médicos — criado em 2013 no governo Dilma Rousseff (PT) com apoio da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) — teria funcionado como uma ferramenta de exploração da mão de obra médica cubana. O secretário afirmou que a iniciativa representou “um golpe diplomático inconcebível”, e que autoridades brasileiras e da Opas teriam conscientemente colaborado com o governo cubano para desviar recursos e driblar sanções impostas pelos EUA.

O Departamento de Estado norte-americano argumenta que os médicos cubanos foram forçados a atuar no Brasil em condições que configuram trabalho exploratório, sendo a maior parte de seus salários destinada ao governo de Cuba. Dezenas de profissionais relataram experiências de exploração, segundo o comunicado oficial. O governo Trump também responsabiliza a Opas por agir como intermediária no suposto esquema.

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A medida contra os brasileiros ocorre no contexto de uma série de sanções impostas por Trump a autoridades brasileiras, incluindo a recente revogação dos vistos de ministros do Supremo Tribunal Federal, como Alexandre de Moraes e Luis Roberto Barroso. O governo dos EUA justifica as ações como parte de uma política de responsabilização por violações de direitos humanos e corrupção internacional, em sintonia com a chamada Lei Magnitsky.

Em resposta, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva repudiou a decisão americana, classificando-a como uma “interferência inaceitável” nos assuntos internos do Brasil. Em nota oficial, Lula manifestou solidariedade às autoridades brasileiras atingidas e criticou o que considera uma violação dos princípios de soberania e respeito mútuo entre as nações.