O presidente da Associação Paulista de Municípios (APM), Fred Guidoni, foi o entrevistado desta segunda-feira (25) do Jornal BC TV, do portal BRASIL CONFIDENCIAL. Em conversa com os jornalistas Camila Srougi e Germano Oliveira, Guidoni abordou os principais desafios enfrentados pelas prefeituras paulistas diante do cenário econômico nacional e internacional, com destaque para os efeitos das tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos.
A medida, anunciada pelo governo norte-americano com um tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros, já vem impactando diretamente municípios de São Paulo — estado que concentra grande parte da produção e exportação nacional.
“Esse é o assunto do momento, não se fala em outra coisa. As tarifas, se mantidas como estão, trarão impactos profundos em segmentos econômicos de várias cidades do nosso estado”, afirmou Guidoni.
Segundo o presidente da APM, o papel da entidade neste momento é mapear os efeitos regionais do tarifário, com o objetivo de subsidiar tecnicamente tanto o Governo do Estado de São Paulo quanto a União. A associação prepara um levantamento detalhado para ser apresentado durante o 67º Congresso Estadual de Municípios, que acontece nesta semana, entre os dias 26 a 28.
“Precisamos ouvir os prefeitos, entender o que está acontecendo nas pontas. Há cidades que já relatam frustração de receita, retração na produção industrial e aumento no desemprego. Nosso foco é compilar essas informações para que possamos dialogar com os governos e propor medidas compensatórias”, destacou.
Quadro fiscal
Guidoni também chamou atenção para o estado crítico das contas públicas municipais. Em 2024, 54% das prefeituras brasileiras fecharam no vermelho, o que representou um déficit de aproximadamente R$ 33 bilhões. A previsão para 2025 é igualmente preocupante: cerca de 60% das prefeituras paulistas correm risco de encerrar o ano com desequilíbrio fiscal.
“Não queremos apenas mostrar o problema, mas sim apresentar soluções. Precisamos garantir que os municípios tenham recursos suficientes para manter os serviços públicos funcionando. Afinal, como dizia o saudoso governador Franco Montoro, ‘é na cidade que as pessoas vivem, e é ali que as coisas precisam acontecer’”, frisou Guidoni.
Reforma tributária e modernização da gestão
Além das questões fiscais, o presidente da APM comentou outros temas que estarão em debate no congresso municipalista, como a implementação do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), parte da reforma tributária que entra em vigor em 2026, e estratégias de modernização da gestão pública.
Guidoni defendeu o uso de tecnologia, governança moderna, capacitação de servidores e compras consorciadas como formas de melhorar a qualidade dos serviços prestados com menor custo. Segundo ele, a inovação é fundamental para enfrentar os desafios da nova gestão pública.
Novo pacto federativo
Para Fred Guidoni, no entanto, a raiz dos problemas enfrentados pelos municípios está no desequilíbrio do pacto federativo. “O que precisamos é de uma redistribuição mais justa dos recursos. Não queremos criar novos impostos, mas sim que os municípios recebam uma fatia mais adequada do que já é arrecadado”, defendeu. “Menos Brasília, mais Brasil. É isso que significa fortalecer os municípios.”
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