André Fufuca, ministro do Esporte, oriundo do Centrão. (Foto: EBC)


O Palácio do Planalto, por intermédio da ministra Gleisi Hoffmann, intensificou nesta segunda-feira (8) a articulação política para conter o avanço do projeto de anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro.

Hoffmann reuniu ministros de partidos do Centrão em um encontro classificado como “estratégica”, que teve como objetivo traçar ações concretas para barrar a proposta no Congresso.

Durante o encontro, Gleisi foi enfática ao afirmar que “não podemos permitir que esse projeto avance, ele representa um retrocesso institucional e uma afronta à democracia”.

Continua depois da publicidade

A reunião contou com ministros de siglas como MDB, PP, União Brasil e PSD, que foram orientados a atuar diretamente junto às suas bancadas para desmobilizar o apoio à anistia.

A estratégia inclui tanto articulação interna quanto posicionamentos públicos. “É importante que vocês reforcem, nas entrevistas e nas redes, que há pautas mais urgentes para o país”, disse Gleisi, referindo-se a projetos como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil.

Além da pauta tributária, o governo pretende acelerar medidas como a redução do valor da conta de luz e a PEC da Segurança Pública, numa tentativa de ocupar o espaço político e desviar o foco da proposta de anistia.

A ideia é que essas iniciativas ganhem protagonismo nas discussões legislativas, enfraquecendo a pressão por parte da oposição.

A proposta de anistia, impulsionada por parlamentares ligados ao PL, inclui a reversão da inelegibilidade do ex-presidente Jair Bolsonaro, o que acendeu alertas no núcleo político do governo. Embora haja apoio entre setores da oposição, o Planalto aposta na divisão interna das bancadas para conter o avanço.

Ministros foram instruídos a identificar parlamentares indecisos e reforçar o discurso de que “anistiar golpistas é abrir mão da verdade e da justiça”.

A ausência do ministro André Fufuca (PP) na reunião foi interpretada como um sinal de distanciamento do partido em relação ao governo. Apesar disso, Gleisi demonstrou confiança na capacidade de articulação do grupo presente. “Temos força política e argumentos sólidos. Vamos agir com firmeza e inteligência”, declarou.

O movimento do Planalto ocorre em um momento de tensão institucional, com a oposição tentando capitalizar o apoio popular demonstrado nas manifestações do feriado. O governo, por sua vez, aposta na mobilização de sua base e na priorização de pautas econômicas para neutralizar o avanço da anistia e preservar a estabilidade democrática.