Fernando Collor com a mulher, que também teve valores bloqueados em sua conta pessoal. (Reprodução: Redes Sociais)


A Justiça do Trabalho de Alagoas determinou o bloqueio de até R$ 649 mil das contas de Cecile e Celine Collor, filhas do ex-presidente Fernando Collor de Mello, como parte de uma ação que investiga suposta fraude à execução em um processo trabalhista envolvendo a TV Gazeta de Alagoas, empresa da família.

Segundo documentos obtidos pela Justiça, Collor teria transferido R$ 1,3 milhão às filhas ao longo de 2023, mesmo após tentativas frustradas de bloqueio direto em suas contas, que continham apenas R$ 14,97. As movimentações incluem duas transferências de R$ 375 mil e outras duas de R$ 277,1 mil.

O desembargador Roberto Ricardo Gouveia, do Tribunal Regional do Trabalho da 19ª Região, classificou os repasses como tentativa de esvaziamento patrimonial. “Há fortes indícios de que os valores foram desviados com o objetivo de frustrar a execução judicial. Trata-se de uma conduta que pode configurar fraude”, afirmou o magistrado em sua decisão.

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As filhas de Collor recorreram, alegando cerceamento de defesa e ausência de participação no processo original. No entanto, o recurso foi negado. “O contraditório e a ampla defesa foram respeitados, e os elementos apresentados justificam a medida cautelar”, concluiu o desembargador.

A esposa de Collor, Caroline Collor, também teve R$ 455 mil bloqueados em outro processo relacionado à emissora, que está em recuperação judicial desde 2019 e acumula dívidas trabalhistas superiores a R$ 64 milhões.