Eduardo Bolsonaro, deputado que abandonou o Brasil e se mudou para os Estados Unidos. (Foto: Reprodução)


A Polícia Federal (PF) instaurou um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) contra o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) para investigar sua atuação nos Estados Unidos, onde teria incentivado a imposição de tarifas contra o Brasil.

O parlamentar, que é escrivão concursado da PF, pode ser punido com advertência, suspensão ou até perda do cargo público.

Segundo apuramos, o processo foi aberto na semana passada e tramita em sigilo. Esta é a segunda investigação disciplinar contra Eduardo Bolsonaro: a primeira, aberta em fevereiro, apura ameaças feitas por ele ao delegado Fabio Shor, responsável pela conclusão do inquérito sobre a tentativa de golpe de Estado.

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O novo PAD foi motivado por uma representação feita pelo deputado Guilherme Boulos (PSOL-SP), que pediu a exoneração imediata de Eduardo da PF. Boulos argumenta que o parlamentar causou lesão aos cofres públicos ao estimular medidas econômicas hostis contra o Brasil enquanto estava nos EUA.

Indiciamento por crimes

Além do processo disciplinar, Eduardo Bolsonaro foi indiciado pela Polícia Federal, junto com seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, por coação no curso do processo e tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito.

De acordo com o relatório da PF, ambos atuaram para obstruir investigações sobre a tentativa de golpe de Estado que visava impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A corporação afirma que os dois buscaram restringir o exercício dos poderes constitucionais, pressionando autoridades brasileiras e estrangeiras.

A investigação aponta que Eduardo Bolsonaro articulou, nos Estados Unidos, sanções e medidas de pressão contra o Brasil, com o objetivo de influenciar decisões políticas e jurídicas. O relatório detalha que ele tentou coagir integrantes do STF e do Congresso Nacional, além de pressionar parlamentares para aprovar propostas de anistia e destituir ministros do Supremo.

Relatório

O relatório final da PF foi enviado ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), responsável pelo inquérito. Moraes encaminhou o documento à Procuradoria-Geral da República (PGR), que agora deve decidir se apresenta denúncia, solicita diligências adicionais ou arquiva o caso. Segundo especialistas, o arquivamento é considerado improvável.

Articulações nos EUA

Em mensagens trocadas com Jair Bolsonaro, Eduardo expressou preocupação com o apoio do presidente dos EUA, Donald Trump, referindo-se a ele como “o cara daqui”. Em uma das mensagens, Eduardo alertou:

“Você não vai ter tempo de reverter se o cara daqui virar as costas para você”.

A PF afirma que essas comunicações fazem parte de uma estratégia para manter apoio internacional e influenciar decisões internas no Brasil.