
A França amanheceu nesta quinta-feira (18) em estado de paralisação nacional. Convocada por oito centrais sindicais, incluindo CGT, CFDT e FO, a mobilização reúne centenas de milhares de manifestantes em diversas cidades do país contra o plano de austeridade proposto pelo ex-primeiro-ministro François Bayrou, que previa cortes de € 44 bilhões (R$ 274,56 bilhões) no orçamento público, revisão de benefícios sociais e a eliminação de dois feriados nacionais.
Segundo estimativas das entidades organizadoras, entre 600 mil e 900 mil pessoas aderiram aos protestos em mais de 250 atos registrados em todo o território francês. Em Paris, a expectativa é de que até 100 mil manifestantes ocupem as ruas ao longo do dia. A mobilização é considerada a maior desde os protestos contra a reforma da Previdência em 2023.
O governo mobilizou cerca de 80 mil agentes de segurança, entre policiais e gendarmes, para conter possíveis distúrbios. Até o início da manhã, 58 pessoas haviam sido detidas, 11 delas na capital, após confrontos com forças de segurança. Autoridades alertam para a presença de grupos radicais infiltrados nos atos, especialmente ligados à extrema esquerda.
A paralisação afeta diversos setores. No transporte público, linhas de metrô e trens regionais operam com capacidade reduzida, com funcionamento normal apenas nas linhas automáticas. Na educação, cerca de um terço dos professores do ensino básico aderiu à greve, enquanto nas escolas secundárias a adesão chega a 45%. Hospitais operam com equipes reduzidas e 98% das farmácias estão fechadas.
Na ilha caribenha da Martinica, um ato de sabotagem interrompeu temporariamente o abastecimento de água para cerca de 150 mil habitantes, após o fechamento deliberado de válvulas de distribuição. O governo classificou o episódio como grave e iniciou investigação.
Os sindicatos exigem a revogação completa do pacote fiscal proposto por Bayrou, que caiu após moção de desconfiança no Parlamento. O novo primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, retirou a proposta de eliminação dos feriados, mas manteve outros cortes. As centrais sindicais mantêm a pressão e afirmam que “o orçamento será decidido nas ruas”.
Entre as principais reivindicações estão a anulação da reforma previdenciária imposta por decreto pelo presidente Emmanuel Macron, a implementação da chamada “taxa Zucman” sobre grandes fortunas e mais investimentos em serviços públicos. Segundo pesquisa do instituto Elabe, 56% da população francesa apoia os protestos.
A crise política se intensifica em meio à deterioração dos serviços públicos e ao aumento do custo de vida. A mobilização desta quinta-feira é vista como um teste de força para o novo governo e um sinal claro de que a sociedade francesa não aceitará passivamente medidas que, segundo os sindicatos, penalizam os mais vulneráveis.



