O Jornal BC TV, do portal Brasil Confidencial, recebeu nesta quinta-feira (18) o médico Marcon Censoni de Ávila e Lima, referência nacional e um dos pioneiros no uso da tecnologia robótica aplicada à medicina.
Em entrevista conduzida pelos jornalistas Camila Srougi e Germano Oliveira, o cirurgião falou sobre os avanços tecnológicos que vêm revolucionando o tratamento de pacientes no Brasil e no mundo.
Cirurgia Robótica
Especialista em cirurgia do aparelho digestivo, com mais de 26 anos de atuação, Marcon iniciou a entrevista abordando os 25 anos de evolução da cirurgia robótica no mundo. Ele relembrou sua participação na segunda cirurgia robótica realizada globalmente, em 2001, na França — um marco que o posiciona entre os protagonistas dessa transformação.
No Brasil, o primeiro robô cirúrgico foi instalado em 2008, no Hospital Sírio-Libanês, sob coordenação do professor Ricardo Abdalla. Desde então, a tecnologia se disseminou pelos principais hospitais privados e, mais recentemente, começou a ser incorporada em unidades do Sistema Único de Saúde (SUS).
Entre os principais benefícios da cirurgia robótica, o especialista destaca a precisão dos procedimentos e a melhora significativa no pós-operatório.
“O grande ganho está na capacidade de treinar novos cirurgiões com maior assertividade nos movimentos dentro das cavidades do corpo humano — seja abdominal, torácica ou em áreas mais complexas, como cabeça e pescoço”, explicou.
Apesar dos avanços, dr. Marcon faz questão de reforçar que a tecnologia é uma aliada, não uma substituta.
“Nada substitui um bom cirurgião. A robótica é uma ferramenta poderosa, mas deve ser utilizada com responsabilidade, especialmente em áreas críticas como a oncologia, onde tempo e precisão são determinantes para o sucesso do tratamento”, pontuou.
Inteligência Artificial
Outro tema abordado foi o uso da inteligência artificial (IA) na medicina. Marcon compartilhou sua experiência no curso de Transformação Digital na Saúde, realizado em Harvard, onde aprofundou seus conhecimentos sobre o papel da IA na organização e análise de dados clínicos.
“O que a inteligência artificial faz, na prática, é organizar grandes volumes de informação, permitindo que médicos, enfermeiros e demais profissionais da saúde dediquem mais tempo ao paciente, em vez de se perderem na burocracia”, afirmou.
Ele também alertou para os cuidados éticos na coleta e interpretação de dados, destacando a importância da conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
“Se as perguntas não forem bem formuladas, os dados podem gerar vieses. A IA pode ser uma grande aliada, mas só se for usada com responsabilidade e consciência”, ressaltou.
Tecnologia & Humanização
Contrariando a ideia de que a tecnologia desumaniza o cuidado médico, Marcon defende que ela pode, na verdade, potencializar a empatia e o acolhimento.
“A tecnologia vai nos ajudar a ser mais humanos. Ao otimizar processos, ela libera tempo para que os profissionais escutem e compreendam melhor as necessidades dos pacientes”, disse.
Segundo ele, o objetivo das inovações — como a cirurgia robótica e a inteligência artificial — é ampliar a capacidade dos profissionais de oferecer um cuidado mais ágil, eficiente e, acima de tudo, humano.
O futuro da medicina
Com uma visão otimista, dr. Marcon acredita que o avanço tecnológico na medicina é irreversível e essencial para a democratização do acesso à saúde de qualidade.
“A integração dessas inovações nos hospitais, públicos e privados, é um passo decisivo para modernizar e otimizar o cuidado com os pacientes”, afirmou.
📺 A entrevista completa está disponível no portal do BRASIL CONFIDENCIAL:

Conheça a trajetória de Marcon Censoni
O médico Marcon Censoni de Ávila e Lima atua há 26 anos na área da saúde, com foco em cirurgia oncológica, do aparelho digestivo e cirurgia robótica. Natural de Campinas (SP), formou-se em Medicina pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUCCAMP) em 1998.
Com experiência em procedimentos tecnológicos, foi selecionado para uma segunda especialização em Cirurgia Digestiva Oncológica e Laparoscópica na Universidade Louis Pasteur, em Strasbourg, França, onde viveu entre 2001 e 2002. Ao retornar ao Brasil, ingressou no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, para especialização em Coloproctologia e Colonoscopia, concluída entre 2003 e 2005.
Desde 2005, é chefe de equipe em Cirurgia Digestiva e Proctologia na Clínica Médica Dr. Marcon Censoni. No A.C.Camargo Cancer Center, atua como chefe do Serviço de Internistas e Urgências nos andares desde 2008.
Em 2012, idealizou e implantou o Serviço de Medicina Hospitalar/Hospitalistas na instituição, considerado um dos pioneiros na América Latina. Também integra o corpo clínico dos hospitais Albert Einstein, Sírio-Libanês, Vila Nova Star e Hospital Alemão Oswaldo Cruz.
Foi um dos primeiros profissionais no país a realizar cirurgias por videolaparoscopia para tratamento de câncer colorretal e de pâncreas, iniciadas em 2005/2006. No mesmo período, passou a realizar cirurgias bariátricas por vídeo, acumulando mais de 8 mil procedimentos nesses campos. Em 2024, concluiu o MBA em Gestão Executiva em Saúde pelo Hospital Israelita Albert Einstein. No mesmo ano, obteve certificação em cirurgia robótica pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Minimamente Invasiva e Robótica (SOBRACIL).
Com interesse em inovação, participou de programas de imersão em saúde digital pelo Ensino Einstein em Israel (2022) e pela StartSe University, no Vale do Silício (2023). Também é certificado como especialista em transformação digital na saúde pela Harvard Medical School.
Atua como professor assistente de Medicina na PUCCAMP. A trajetória de Marcon Censoni combina prática cirúrgica especializada, atuação em gestão hospitalar e envolvimento com tecnologias digitais aplicadas à saúde.




