A Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) a reabertura do inquérito que apura suposta interferência do ex-presidente Jair Bolsonaro na Polícia Federal. O pedido foi feito pelo atual procurador-geral, Paulo Gonet, e representa uma mudança de posição em relação ao arquivamento anteriormente solicitado por seu antecessor, Augusto Aras.
O caso foi instaurado em abril de 2020, após o então ministro da Justiça, Sergio Moro, anunciar sua saída do governo alegando tentativa de interferência política na corporação. Em pronunciamento à época, Moro afirmou: “O presidente me disse que queria trocar o diretor-geral da Polícia Federal para ter alguém com quem ele pudesse interagir pessoalmente, sem intermediários.”
O inquérito, que estava arquivado desde 2023 por decisão de Aras, volta à pauta após novos desdobramentos envolvendo a atuação de uma suposta estrutura paralela de inteligência na Agência Brasileira de Inteligência (Abin), também sob investigação. A PGR quer que a Polícia Federal avalie se há conexão entre os dois casos.
No despacho enviado ao STF, Gonet afirma que “os elementos surgidos em investigações recentes podem lançar nova luz sobre os fatos originalmente apurados, justificando a retomada das diligências”. O procurador-geral também solicita que sejam ouvidos novamente os envolvidos e que se analise a troca de comando da PF ocorrida em 2020, quando Maurício Valeixo foi exonerado do cargo de diretor-geral.
A defesa de Bolsonaro nega qualquer irregularidade e afirma que a troca de comando na PF foi uma prerrogativa presidencial. Em nota divulgada nesta quarta-feira (15), os advogados do ex-presidente disseram que “não há qualquer elemento novo que justifique a reabertura do inquérito, que já foi devidamente arquivado por ausência de indícios de crime”.
O ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no STF, deverá decidir nos próximos dias se autoriza a retomada das investigações. A expectativa é que o tribunal também se manifeste sobre o possível compartilhamento de provas entre os inquéritos da PF e da Abin.
A reabertura do caso reacende o debate sobre os limites da atuação presidencial nas estruturas de segurança pública e sobre a independência das instituições investigativas. Moro, atualmente senador pelo União Brasil (PR), declarou em entrevista recente que “a verdade precisa prevalecer, e as instituições devem funcionar com autonomia e respeito à legalidade”.





