O chanceler federal da Alemanha, Friedrich Merz, comparou desfavoravelmente o Brasil com seu país durante discurso no Congresso Alemão do Comércio, realizado na semana passada. Ao relatar sua participação na Cúpula de Líderes da pré-COP30, em Belém, Merz afirmou que os jornalistas alemães que o acompanharam ficaram “contentes” ao retornar à Europa.
“Senhoras e senhores, nós vivemos em um dos países mais bonitos do mundo”, disse. “Perguntei a alguns jornalistas que estiveram comigo no Brasil na semana passada: ‘Quem de vocês gostaria de ficar aqui?’ Ninguém levantou a mão. Todos ficaram contentes por termos retornado à Alemanha, na noite de sexta para sábado, especialmente daquele lugar onde estávamos.”
A fala foi registrada em vídeo e transcrita pelo governo alemão. O conteúdo também foi publicado no site do Congresso Alemão do Comércio, organizado pela Handelsverband Deutschland (HDE), principal federação do varejo do país, em parceria com o instituto EHI Retail Institute.
Durante o evento, Merz pediu que os empresários valorizassem o ambiente econômico da Alemanha. “Vivemos em um dos países mais livres do mundo, e vale a pena defender nosso país, nossa democracia e nossa ordem econômica”, afirmou. “Essa é uma tarefa que todos nós devemos assumir: defender este país, defender nossa democracia, defender nossa sociedade aberta contra seus inimigos internos e externos – e também defender nossa ordem de economia de mercado.”
Frustração no Planalto
Merz esteve em Belém entre os dias 6 e 7 de novembro, quando participou da Cúpula de Líderes que antecede a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30). Na ocasião, reuniu-se com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e prometeu uma contribuição “significativa” da Alemanha ao Fundo Florestas para Sempre (TFFF), principal aposta do governo brasileiro para a COP30.
Apesar da promessa, o chanceler não anunciou valores. A ausência de um compromisso concreto foi interpretada como sinal de cautela diante da proposta brasileira, que prevê remuneração a países que preservam florestas tropicais.
Merz reiterou, no Congresso do Comércio, a necessidade de conciliar desenvolvimento econômico e proteção ambiental. “Eu disse exatamente isso também na semana passada, na Conferência do Clima, no Brasil. A Alemanha mantém seus compromissos climáticos, mas agora a Alemanha não faz mais política climática contra a economia – ela faz política climática junto com a economia. Todos nós somos responsáveis. Todos nós contribuímos para que esse problema exista.”
Imigração qualificada
O chanceler também defendeu a reorganização da política migratória alemã, com foco na atração de profissionais qualificados. Segundo ele, a nova abordagem será conduzida pela agência Work-and-Stay.
“As pessoas não entrarão mais no mercado de trabalho aleatoriamente no decorrer de um processo de asilo, mas sim, desde o primeiro dia, em um procedimento totalmente distinto e digital, referente à permissão de trabalho, permissão de residência e reconhecimento de qualificações profissionais”, explicou. Merz classificou a medida como um incentivo à “boa imigração”.




