O Banco Master vendeu ao Banco de Brasília (BRB) uma carteira de crédito no valor de R$ 303 milhões originada por uma empresa registrada em nome de uma atendente de lanchonete investigada por aplicar golpes com maquininhas de cartão.
O caso é apurado pelo Ministério Público Federal (MPF) e pelo Banco Central, que identificaram “indícios graves de fraude” na operação.
Segundo documentos obtidos pela investigação, a empresa funcionava como fachada e teria sido usada para gerar créditos artificiais. A atendente, apontada como responsável formal pela companhia, é suspeita de participar de um esquema de desvio de recursos por meio de transações simuladas em maquininhas.
Em nota, o MPF afirmou que “há fortes elementos que indicam fraude na constituição da empresa e na origem dos créditos repassados”. O órgão também destacou que a operação entre os dois bancos ocorreu sem auditoria adequada.
Procurados pela reportagem, Banco Master e BRB não se manifestaram.
O Banco Central acompanha o caso no contexto de outras investigações sobre operações suspeitas no mercado financeiro. Estima-se que fraudes semelhantes possam somar até R$ 12,2 bilhões.
Contexto
A transação levanta dúvidas sobre os mecanismos de controle interno das instituições financeiras. Especialistas afirmam que a ausência de auditoria prévia em operações de grande porte pode comprometer a credibilidade do sistema bancário.
“O episódio mostra como empresas de fachada podem ser usadas para movimentar valores elevados sem que os bancos percebam a irregularidade”, disse um investigador ligado ao caso.
Repercussão
O caso deve intensificar a pressão sobre bancos e reguladores para reforçar mecanismos de fiscalização. O MPF avalia pedir medidas cautelares contra os envolvidos, enquanto o Banco Central analisa se houve falhas de supervisão.
O banqueiro Daniel Vorcaro, presidente do BRB, está preso em São Paulo, na sede da Superintendência da Polícia Federal.




