Moisés Rabinovici


Moisés Rabinovici*

No 20º dia, a guerra passou a ser chamada de “atrito” por Israel. O Irã dispara um míssil por ataque — até oito ou dez por dia — obrigando os israelenses a entrar e sair dos abrigos antiaéreos várias vezes, sobretudo durante a noite.

Parte de um desses mísseis explodiu hoje a cerca de 350 metros da mesquita de Al-Aqsa, sobre o Muro das Lamentações e ao lado da igreja do Santo Sepulcro, atingida por um fragmento no dia anterior. Em poucos metros, concentram-se ali os lugares mais sagrados do islã, do judaísmo e do cristianismo.

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A mesquita de Al-Aqsa estava fechada para os fiéis que celebrariam o Eid al-Fitr, o fim do Ramadã — pela primeira vez desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967. A tensão aumentou quando uma multidão de muçulmanos iniciou as orações fora dos muros da Cidade Velha de Jerusalém. Houve tumultos com a polícia.

Cada míssil balístico de fragmentação carrega até 70 ou 80 submunições. Ao explodir, espalha estilhaços que atingem múltiplos pontos, destroem carros e provocam incêndios. A Estrela de Davi Vermelha atendeu feridos leves e inúmeros casos de ansiedade. As sirenes ecoam em ondas por todo o país.

Mesquita de Al-Aqsa

Ao mesmo tempo, os Estados Unidos passaram a usar helicópteros de combate e aviões de baixa altitude para tentar reabrir o Estreito de Ormuz. Em sua rede Truth Social, o presidente Donald Trump atacou aliados da OTAN e afirmou que a guerra já foi “vencida militarmente”.

Segundo fontes em Washington, Trump avalia ocupar ou bloquear a ilha de Kharg, por onde passa cerca de 90% do petróleo iraniano, como forma de pressionar Teerã. Também considera o envio de fuzileiros navais que se aproximam da região.

Ele descartou um cessar-fogo. “Não se faz um cessar-fogo quando se está literalmente destruindo o outro lado”, disse a repórteres diante da Casa Branca.

O Supremo Líder Aiatolá Mojtaba Khamenei enviou mensagem aos iranianos pelo Nowruz, o ano novo persa, mas não apareceu, nem gravou vídeo, reforçando os rumores de que foi ferido ou desfigurado no bombardeio que matou seu pai, aiatolá Ali Khamenei, no primeiro dia da guerra. Ele pediu à mídia para “evitar o foco nas fraquezas (do país)”. E designou o novo ano à “resistência econômica sob Unidade e Segurança Nacional”.

*Moisés Rabinovici é jornalista brasileiro com carreira marcada por atuação internacional e inovação digital. Como correspondente de imprensa, atuou em Israel, Europa e Estados Unidos.