BRASIL EM FOCO
Germano Oliveira*
Não, não é um erro deste redator. A eleição presidencial de 2026 é um jogo preliminar da disputa de 2030. E, neste caso, a peleja daqui a quatro anos não terá mais Lula, depois de ele encabeçar quase todas as listas de candidatos a presidente desde 1989 (só não teve seu nome na urna em 2018, por estar na cadeia, quando lançou Fernando Haddad). Até porque, se o petista se reeleger agora, não poderá mais se candidatar depois de 2030, quando terá 85 anos. E, muito menos, o nome de Jair Bolsonaro, outro rival da polarização com o petismo, poderá estar na urna. É que o ex-capitão, que está preso na Papudinha, estará inelegível até 2060, quando completará 105 anos!!
Assim, o PT e o PL terão de arrumar nomes competitivos para substituir tanto Lula quanto o velho Bolsonaro. No caso do petista, ele tem dito que os seus sucessores poderiam ser Fernando Haddad ou Guilherme Boulos. Haddad é o atual ministro da Fazenda e o presidente quer vê-lo, já neste ano, candidato a governador ou a senador por São Paulo.
Já o ex-deputado Boulos, atualmente exercendo o cargo de Secretário-Geral da Presidência da República, prometeu a Lula não sair candidato a nada neste ano, para servir ao governo do PT na campanha da reeleição — sacrifício que aumenta seu cacife junto ao líder petista.
Lula, inclusive, já anunciou que Boulos seria seu sucessor naquele famoso discurso de resistência num caminhão de som defronte ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em 2018, quando a PF estava pronta para prendê-lo, por ordem do então juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba, Sergio Moro. Esse discurso de Lula chateou Haddad, que também estava em cima do caminhão, e precisou engolir a seco que o ex-sem-teto era o preferido do então ex-presidente, a caminho da cadeia em Curitiba.

A vez de “Joãozinho”
Além de Haddad e Boulos, o campo da esquerda ligado ao vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), e que hoje apoia Lula integralmente, tem um candidato na manga como presidenciável para 2030. Trata-se do atual prefeito do Recife, o socialista João Campos, por mais que atualmente ele esteja sendo alvo de denúncias de irregularidades à frente da prefeitura pernambucana. Joãozinho é filho do ex-governador Eduardo Campos, morto num acidente de avião durante a campanha presidencial de 2014, e neto de Miguel Arraes, que foi governador pernambucano várias vezes.
Nikolas estará no páreo?
Nikolas Ferreira, o mais votado pelo PL de Minas Gerais no pleito de 2022, é outro que deve correr por fora na eleição de 2030. Jovem e adorado pela extrema-direita, o deputado mineiro vem se destacando pelo seu destempero e insensatez no embate com a esquerda no Congresso. Chegou a colocar uma peruca ao discursar oficialmente na Câmara, ofendendo as mulheres. Foi denunciado ao Conselho de Ética, mas nada lhe aconteceu.
Nos últimos dias, promoveu uma caminhada de Paracatu (MG) a Brasília, num total de 200 quilômetros, quando foi angariando admiradores ao longo do caminho. Ao final da mobilização, a sua turma sofreu com a descarga de mais de sessenta raios, ferindo 89 pessoas, entre as quais muitas ficaram gravemente feridas e uma delas ainda permanece na UTI.
O objetivo de Nikolas era protestar diante do Presídio da Papudinha, onde Bolsonaro está preso. Ele desejava também pedir anistia para o líder e que o ex-presidente pudesse, no mínimo, ter prisão domiciliar. Devido ao empenho, a ex-primeira-dama Michelle declarou que o marido ficou orgulhoso da mobilização feita pelo parlamentar mineiro, dizendo que, a partir de agora, Bolsonaro o considera como o “filho 06” (atualmente ele tem cinco filhos, dos quais quatro homens e uma mulher). Nikolas, portanto, passa a deter a primazia de ser o candidato da extrema-direita.
O efeito Tarcísio
Mas se o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), não puder disputar agora a presidência por causa da insistência do ex-presidente em ter um dos seus filhos (o senador Flávio Bolsonaro) como o candidato oficial do PL e do bolsonarismo, ele poderá ser o presidenciável de 2030, caso se reeleja governador este ano.
Com a força de dois mandatos de governador do maior estado brasileiro, Tarcísio se habilitará a ser o candidato da direita, com o apoio do Centrão — o que, aliás, esse grupo já gostaria que acontecesse daqui a nove meses. Isso não significa, porém, que esse jogo de 2026 já tenha terminado para o governador paulista.
Ele ainda alimenta esperanças de ser o presidenciável caso o Centrão resolva “peitar” Bolsonaro, tirando Flávio da parada. Para que isso seja possível, Tarcísio ficará de olho no calendário: se ele não se desincompatibilizar do governo paulista até o começo de abril, significará que será candidato à reeleição. Caso ocorra o contrário, será candidato a presidente ainda este ano. Se ganharia de Lula, ainda é uma incógnita, mas isso alteraria o jogo não só de 2026, mas também o de 2030. A ver.
*Germano Oliveira é Diretor do BRASIL CONFIDENCIAL.





