O Professor Celso Camilo durante a entrevista nesta segunda-feira (16) no canal do BC TV


Em uma entrevista exclusiva ao jornal BC TV nesta segunda-feira (16), o professor Celso Camilo, da Universidade Federal de Goiás (UFG), ofereceu insights aprofundados sobre o Projeto Gaia, a primeira inteligência artificial (IA) de tecnologia nacional, desenvolvida com a linguagem do português brasileiro. Camilo, que coordena o ambicioso projeto, foi entrevistado por Germano Oliveira e Camila Srougi.

Pesquisador de destaque no cenário da Inteligência Artificial, Celso Camilo possui mestrado e doutorado na área. Ele é membro fundador do Centro de Excelência em Inteligência Artificial (CEIA-UFG-BR), professor associado da Universidade Federal de Goiás, e já atuou como professor visitante em instituições de renome mundial, como a Carnegie Mellon University (CMU) nos EUA (2015/2016) e o Indian Institute of Technology (IITGN) na Índia (2022). Seu currículo também inclui uma palestra na NASA. Além disso, Camilo é delegado Startup20/G20 e representa o Brasil em diversos fóruns internacionais de inovação.

O nome do projeto, Gaia, deriva da mitologia grega, onde significa “mãe terra”, simbolizando a ambição de ser uma base fundamental para o avanço da tecnologia no Brasil.

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A “Segunda Corrida à Lua”: A Busca por uma IA brasileira

Durante a entrevista, o professor Camilo enfatizou a relevância estratégica do desenvolvimento da Gaia para o país. “O grande objetivo é: como é que a gente consegue, com os nossos engenheiros, com as nossas especialistas, com a nossa capacidade também, correr essa corrida que eu estou chamando da segunda corrida à lua, que é essa corrida da IA”, afirmou.

Ele explicou que a iniciativa surgiu da percepção da necessidade de o Brasil ter sua própria capacidade no campo da inteligência artificial. “A gente, em parceria, entendeu que era importante a gente ter essa capacidade. E desenvolver essa capacidade. Então fomos atrás de desenvolver uma IA que era mais treinada, que era mais especializada para o português brasileiro”, disse Camilo, destacando o diferencial da Gaia.

O modelo de código aberto: democratização

A Gaia foi desenvolvida como uma IA de código aberto, uma escolha estratégica, segundo o professor, que visa a democratização da tecnologia. Ele detalhou a diferença entre as IAs “fechadas” e as “abertas”: “a diferença entre elas é que contra [em contrapartida], a peça-chave [é que] um [pode] contribuir [e] usar gratuitamente, contribuir inclusive para a evolução desse modelo”.

A opção pelo código aberto se deu porque a equipe “gostaria de democratizar isso”. Camilo reforçou que o objetivo transcende o mero desenvolvimento. “A gente queria garantir que o conhecimento e a tecnologia conseguissem impactar positivamente vários e vários negócios, especialmente negócios brasileiros, porque, afinal de contas, é a IA brasileira, do português brasileiro. Então, a gente quis dar mais vazão, quis dar mais capilaridade, mais impacto positivo com a nossa descoberta, com o nosso desenvolvimento”.

Gaia: melhor qualidade de vida e avanço tecnológico

Ao ser questionado sobre como a Gaia pode contribuir para aprimorar a qualidade de vida da população e a tecnologia em áreas cruciais como saúde, educação e segurança, o professor Camilo explicou que uma IA mais especializada no português brasileiro resulta em um ganho significativo de performance.

Segundo estimativas, essa especialização pode gerar um aumento de “em torno de 30% em performance” quando comparada às IAs genéricas, que são “muito mais treinadas no inglês. É uma base muito maior do inglês do que do português ou outras línguas”. Camilo ilustrou a questão: “Essa é a diferença de treinamento. Você conversa com ela em português. Ela tenta – aí, didaticamente explicando – tenta traduzir pelo que ela conhece melhor, que [é o que] ela conhece mais: o inglês da estrutura do mercado”. A Gaia, portanto, busca “diversificar, escalonar, dar mais às pessoas, [democratizar] e, ao mesmo tempo, aumentar a performance”.

O professor ressaltou que, atualmente, algumas funcionalidades podem não ser totalmente confiáveis em IAs genéricas, como “revisão” ou “fazer a educacional muito confiável”. No entanto, “a gente conseguiu utilizar a IA brasileira. Dentro da pele das aplicações brasileiras, a tendência é que aumente a performance deste resultado”.

“Potencial Transversal”

Sobre o vasto potencial da Gaia para o mercado, Celso Camilo afirmou que ela é “transversal”. “A gente consegue utilizar isso de forma genérica no mercado brasileiro, nos órgãos públicos, empresas privadas, em qualquer lugar que caiba a IA, que caiba a Gaia”, explicou. “E a gente tem essa vantagem de estar treinando [em] português, especializando em português do Brasil”. Ele citou exemplos de aplicação, como na “inteligência policial”.

Camilo foi questionado sobre a percepção de que a inteligência artificial de alto nível é restrita a grandes empresas. Ele foi categórico: “Sem dúvida, a gente acha que ainda a IA é para todos. Evidentemente, cada empresa consegue ter um grau de maturidade diferente e aplicabilidade. É possível ter benefícios e retornos com o uso da IA para todo e qualquer setor, qualquer tamanho de organização”.

Para assistir à entrevista completa com o professor Celso Camilo, você pode acessar o canal do Brasil Confidencial no YouTube abaixo.