A economia da Alemanha está em profunda crise. O Produto Interno Bruto deverá contrair 0,1% neste ano, segundo projeções feitas pelo grupo industrial BDI. Isso representaria três anos seguidos de inflação com contração econômica.
Enquanto isso ocorre na Alemanha, a zona do euro crescerá 1,1% e a economia global 3,2%, estima o BDI, indicando que a Alemanha continuará com um dos piores desempenhos econômicos da região. A economia alemã é a maior da Europa e uma das quatro maiores do mundo.
Os alemães sentem no bolso o aumento do preços dos alimentos e principalmente do gás – elemento fundamental na vida cotidiana do povo da Alemanha para climatizar suas casas, escritórios e ambientes de empresas. A queda da renda familiar é sentida de forma muito intensa pelos trabalhadores na hora de ir às compras.
“A situação é muito grave: o crescimento do setor industrial, em particular, sofreu uma ruptura estrutural”, disse o presidente do BDI, Peter Leibinger.
O aumento da concorrência externa, os altos custos de energia, as taxas de juros ainda elevadas e as perspectivas econômicas incertas têm afetado a economia alemã, que sofreu uma contração por dois anos consecutivos.
Desacordos sobre como impulsionar a maior economia da Europa contribuíram para o fim da coalizão de governo, com a terrível situação econômica refletida na Volkswagen, que tem realizado cortes de custos acentuados para permanecer relevante.
A crise econômica é mais do que apenas uma consequência da pandemia e da invasão da Ucrânia pela Rússia, disse Leibinger.
Os problemas são domésticos e o resultado de uma fraqueza estrutural desde 2018 que os governos não conseguiram resolver, disse Leibinger.
“O investimento público em infraestrutura moderna, na transformação e na resiliência de nossa economia é urgentemente necessário”, disse Leibinger, que também pediu uma redução na burocracia, preços de energia mais baixos e uma estratégia clara para fortalecer o cenário alemão de inovação e pesquisa.



