As exportações brasileiras de carne bovina perderam fôlego em volume em março, mas mantiveram crescimento expressivo em receita, refletindo a valorização dos preços no mercado internacional. A receita cambial somou US$ 1,476 bilhão no mês, alta de 21,42% ante março de 2025, enquanto o volume embarcado recuou 6,65%, para 270,53 mil toneladas, segundo dados da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), com base nas informações da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

Considerando apenas a carne bovina in natura, responsável por cerca de 90% das vendas externas do setor, os embarques cresceram 8,95% em março, para 233,79 mil toneladas, com receitas de US$ 1,36 bilhão, avanço de 29,14% na comparação anual. O desempenho indica desaceleração frente aos meses anteriores, pois o volume havia avançado 28,7% e 24% em janeiro e fevereiro, respectivamente, em um cenário de base de comparação elevada após recordes sucessivos em 2025.

No acumulado do primeiro trimestre, as exportações totais de carne bovina (incluindo industrializados e subprodutos) somaram US$ 4,32 bilhões, crescimento de 32,29% ante igual período de 2025. O volume embarcado atingiu 827,64 mil toneladas, alta de 10,98%. Apenas a carne in natura respondeu por US$ 3,98 bilhões no trimestre, avanço de 37,45%, com embarques de 700,98 mil toneladas (+19,92%). O preço médio de exportação subiu 14,61%, para US$ 5.642 por tonelada.

A China seguiu como principal destino, com receitas de US$ 1,816 bilhão no trimestre (+41,83%) e volume de 325,68 mil toneladas (+39,35%). Os preços médios avançaram 15%, para US$ 5.578 por tonelada. O país respondeu por 46,4% do volume exportado e 45,6% da receita com carne in natura.

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Os Estados Unidos mantiveram a segunda posição, com forte expansão das compras diante do déficit interno de oferta. As exportações de carne in natura cresceram 60,96% em valor, para US$ 588,98 milhões, enquanto o volume aumentou 28,51%, para 98,17 mil toneladas. Os preços médios subiram 25,25%, para cerca de US$ 6 mil por tonelada.

Para a União Europeia, as vendas de carne in natura avançaram 29,48% em receita, para US$ 187,96 milhões, e 21,16% em volume, para 21,71 mil toneladas, com preços médios de US$ 8.656 por tonelada (+6,86%). Considerando todos os produtos, as exportações ao bloco somaram US$ 251,57 milhões (+49,84%).

Entre outros mercados relevantes, o Chile ampliou as compras em 27,6% em volume e 36,9% em valor no trimestre, enquanto a Rússia registrou forte expansão, com alta de 73,4% no volume e 91,1% na receita. O México também apresentou crescimento consistente, com avanço de 37,5% no volume e 55,6% no valor.

No trimestre, 106 países elevaram suas importações de carne bovina brasileira, enquanto 49 reduziram as compras, reportou a Abrafrigo.

As exportações brasileiras de carne bovina para a China podem ter alcançado cerca de 42,86% da cota tarifária disponível ao Brasil já no primeiro trimestre de 2026, segundo estimativa da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), divulgada em nota.

Com base em dados da Secex e informações do Ministério do Comércio da China (Mofcom), os embarques ao país asiático são estimados em 474,08 mil toneladas no período. A cota total estabelecida para o Brasil é de 1,106 milhão de toneladas, livre da tarifa extraquota de 55%. Pelos cálculos da entidade, restariam aproximadamente 631,92 mil toneladas, que representam cerca de 57% da cota para embarque sem incidência da tarifa adicional ao longo do restante do ano.

A Abrafrigo ressalta, contudo, que os números podem sofrer ajustes, já que o governo chinês considera, para fins de contabilização da cota, o volume que efetivamente chega aos portos do país, e não apenas o embarcado no Brasil.

Dados oficiais de março ainda não foram divulgados pelo Mofcom. Na sua última divulgação sobre o tema, o ministério apontou que as vendas de carne bovina do Brasil para a China já haviam alcançado 372,08 mil toneladas apenas nos dois primeiros meses do ano.

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