A ação coordenada do Judiciário com o Núcleo de Observação e Análise Digital (Noad), da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, impediu a concretização de um crime planejado por intermédio das redes sociais.
O núcleo de inteligência fez a identificação da ação de andamento dos criminosos e com a ajuda do Judiciário obteve medidas legais para impedir a concretização do crime em andamento, cujo objetivo era transmitir o feito ao vivo nas redes sociais.
Segundo as apurações, a investigação apontou um plano organizado por um grupo criminoso que pretendia atacar uma pessoa em situação de rua no Rio de Janeiro. A partir do trabalho dos agentes de inteligência digital, as informações foram compartilhadas com a Polícia Civil do Rio de Janeiro, permitindo a ação imediata do Poder Judiciário para a expedição de mandados de prisão e busca contra os envolvidos.
Durante o monitoramento das atividades criminosas em plataformas digitais, o Noad detectou que o líder do grupo estava organizando o ataque. Diante da gravidade do caso, o núcleo elaborou um relatório de inteligência detalhado e o encaminhou às autoridades judiciais, que prontamente determinaram a realização da operação policial para impedir o crime. As ações aconteceram em Vicente de Carvalho e Bangu, no Rio de Janeiro, resultando na prisão dos suspeitos e na apreensão de materiais relevantes para as investigações.
O trabalho articulado entre o Noad e o Poder Judiciário reflete a importância de uma resposta rápida para impedir crimes em andamento. Combinando monitoramento avançado de redes sociais, análise de inteligência e ações judiciais eficazes, foi possível neutralizar a ameaça e garantir a segurança da vítima potencial.
O caso também ressalta o papel estratégico do Noad na proteção contra crimes virtuais e na integração entre órgãos de segurança pública e o Judiciário. Além de sua atuação preventiva, o núcleo reforça a necessidade de conectar a tecnologia à aplicação imediata da lei, criando um modelo de resposta ágil e eficiente para crimes emergentes.
MINISTÉRIO DA JUSTIÇA
A Polícia Civil do Rio de Janeiro e o Ministério da Justiça e Segurança Pública se manifestaram sobre o assunto.
Em nota, a Polícia Civil do Rio afirmou que agentes da Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (Dcav) e da 19ª Delegacia detiveram três homens em Vicente de Carvalho, na zona norte da capital fluminense, e em Bangu, na zona oeste.
Os mandados judiciais de prisão foram cumpridos com o apoio do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
As identidades do homem em situação de rua que seria alvo do ataque e dos três detidos não foram divulgadas. Ainda de acordo com a Polícia Civil, os três homens presos são jovens, integravam o “núcleo da organização que pretendia assassinar um morador de rua de forma brutal” e transmitir o crime por meio da plataforma Discord, “em troca de dinheiro”.
“Os agentes [investigadores] apuraram a existência de uma rede de jovens que utilizavam a plataforma Discord para realizar e divulgar atrocidades, como maus-tratos a animais, indução à automutilação, estupro virtual, racismo e incitação ao crime, como forma de “entretenimento””, afirma a Polícia Civil, acrescentando que o grupo também promovia ataques digitais de ódio contra negros, mulheres e adolescentes, “com graves consequências no mundo real”.
Também em nota, o Ministério da Justiça e Segurança Pública afirma que servidores do Ciberlab identificaram, nas redes sociais, mensagens sobre o plano de homicídio e de exibição do crime nas redes sociais. “Os investigados articulavam práticas de extrema crueldade, associadas a discursos de ódio, simbologias extremistas, radicalismo religioso e outras manifestações de extremismo”, assegura a pasta, reforçando que os três detidos esta manhã são apontados como líderes da comunidade criminosa virtual.
“Um deles se apresentava publicamente como ativista ambiental e protetor dos animais, o que contrastava brutalmente com sua conduta nas redes, onde promovia e compartilhava atos de extrema violência e perversidade”, afirma o ministério. Segundo a Polícia Civil, este mesmo homem, já participou de vários eventos ambientalistas internacionais.
A operação que resultou na prisão dos três suspeitos e, supostamente, frustrou os planos de homicídio de uma pessoa em situação de rua recebeu o nome de Desfaçatez – que os policiais responsáveis escolheram para destacar “a dissimulação e o descaramento com que os investigados mantinham uma imagem pública de respeito à vida, ao meio ambiente e à ética, enquanto nos bastidores digitais atuavam com crueldade, intolerância e perversidade”.



