Cena do filme "Ainda Estou Aqui", que recebeu três indicações nesta quinta-feira (23), ao Oscar, nos Estados Unidos


O filme “Ainda Estou Aqui” foi indicado hoje a três categorias do Oscar, sendo elas de melhor filme, melhor filme internacional e melhor atriz para Fernanda Torres. A cerimônia de indicação aconteceu na manhã desta quinta-feira (23), em Los Angeles, na Califórnia.

Com essas indicações, o Brasil volta à premiação do Oscar após 26 anos. A última vez que isso aconteceu foi quando a atriz Fernanda Montenegro concorreu ao prêmio com o filme “Central do Brasil”.

Fernanda Montenegro é mãe da atriz Fernanda Torres, protagonista do filme que concorre a esta edição do Oscar. “Ainda Estou Aqui” foi produzido e dirigido por Walter Salles, que também foi diretor e produtor de “Central do Brasil”.

Continua depois da publicidade

O filme está fazendo uma carreira de sucesso em competições internacionais, entre as quais conquistou o Globo de Ouro na categoria de melhor atriz em filme de drama para Fernanda Torres; melhor roteiro no Festival de Veneza; prêmios SIGNIS e Green Drop Award. Recentemente conquistou o prêmio VIFF Audience Award no Festival Internacional de Vancouver, no Canadá.

O filme é um drama dirigido por Walter Salles, ele é baseado na história que aconteceu durante a ditadura militar na década de 70, quando o ex-deputado Rubens Paiva foi sequestrado por militares em sua casa, na frente de sua família e nunca mais foi visto. A União chegou a ser condenada a indenizar a família de Rubens Paiva e reconhecer sua morte, sem localização do corpo. O filme é derivado do livro homônimo escrito por Marcelo Rubens Paiva, filho do ex-deputado, que narra o caso e a luta da mãe, Eunice Paiva, esposa de Rubens, ao longo de sua vida para tentar descobrir o que havia acontecido com o ex-deputado que fazia oposição à ditadura militar.

Selton Mello comemora indicação tripla no Oscar: ‘Brasil no topo’
Eunice Paiva com o marido Rubens Paiva, em foto de album de família.

Quem era Rubens Paiva

Rubens Paiva foi um engenheiro e político brasileiro que desapareceu em 1971, durante a ditadura militar no Brasil. Ele foi um dos principais casos de desaparecimento forçado durante esse período. Rubens Paiva nasceu em 1929, em São Paulo, Brasil.

Ele se formou em engenharia civil e trabalhou em várias empresas de construção. Em 1962, ele foi eleito deputado federal pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) e se tornou um crítico da ditadura militar que havia tomado o poder em 1964.

Em 20 de janeiro de 1971, Rubens Paiva foi preso em sua casa, no Rio, por agentes do DOI-CODI (Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna), uma unidade de repressão política da ditadura militar. Ele foi levado para o DOI-CODI, onde foi torturado e interrogado.


A investigação sobre o desaparecimento de Rubens Paiva foi realizada pela Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP), criada em 1995. A comissão concluiu que Rubens Paiva havia sido morto em 1971, após ser torturado e interrogado pelo DOI-CODI.


Em 2014, a Justiça Federal condenou o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, ex-comandante do DOI-CODI, por sua responsabilidade no desaparecimento e morte de Rubens Paiva.

O caso de Rubens Paiva é um dos mais emblemáticos da ditadura militar no Brasil e é lembrado como um símbolo da resistência contra a repressão política. Em 2011, a presidente Dilma Rousseff sancionou a Lei nº 12.528, que criou a Comissão Nacional da Verdade, com o objetivo de investigar os crimes cometidos durante a ditadura militar.

Quem foi Eunice Paiva

Eunice Paiva se tornou uma das principais figuras na luta contra a ditadura militar no Brasil, especialmente após o desaparecimento de seu marido, Rubens Paiva, em 1971. Eunice Paiva nasceu em 1935, em São Paulo, Brasil.

Ela se casou com Rubens Paiva em 1957 e tiveram três filhos juntos. Após o desaparecimento de Rubens, Eunice iniciou uma luta incansável para descobrir o que havia acontecido com ele e para exigir justiça.


Eunice Paiva se tornou uma das principais vozes na luta contra a ditadura militar e pela verdade e justiça para as vítimas da repressão política. Ela trabalhou em estreita colaboração com outras famílias de desaparecidos e com organizações de direitos humanos para exigir que o governo brasileiro investigasse os crimes cometidos durante a ditadura.


A sua luta foi fundamental para a criação da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP), que investigou os crimes cometidos durante a ditadura militar. Eunice Paiva também recebeu vários prêmios e reconhecimentos por sua luta, incluindo o Prêmio Direitos Humanos da Presidência da República em 2006.

Eunice Paiva faleceu em 2018, mas seu legado continua a inspirar a luta pelos direitos humanos e pela justiça no Brasil.

Eunice Paiva ao lado do filho Marcelo Rubens Paiva. (Foto: Album de família)

Quem é Marcelo Rubens Paiva


O livro que inspirou o filme “Ainda Estou Aqui”, de mesmo título, foi escrito pelo escritor e jornalista o Marcelo Rubens Paiva, de 64 anos de idade.


Ele nasceu em São Paulo em 1959. è filho do ex-deputado Rubens Paiva e de Eunice Paiva. Ainda jovem, Marcelo sofreu um acidente que o deixou tetraplégico. Na época ele tinha 20 anos de idade.


Em 1982, após ter passado por fisioterapia e recuperado parte dos movimentos, escreveu o livro “Feliz Ano Velho”, onde relata suas memórias, descreve a prisão e desaparecimento do e fala de sua vida antes e depois do acidente. “Feliz Ano Velho” foi o livro de maior sucesso da década de 1980 e teve também adaptações para o cinema e o teatro.

Marcelo Rubens Paiva continuou sua carreira de escritor, com livros de sucesso, peças de teatro, programas de televisão e artigos para jornais.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.