Entrega do Centro de Radioterapia com o Presidente do Senado, Davi Alcolumbre e o Ministro da Saúde, Alexandre Padilha - Foto: Governo Amapá


Após dias de críticas públicas ao governo federal, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), fez nesta sexta-feira (5) o primeiro gesto de trégua em direção ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Alcolumbre se revoltou pelo fato de o presidente Lula ter anunciado a escolha de Jorge Messias, atualmente chefe da AGU, para a vaga de Luís Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal (STF), sem lhe antecipar a decisão, da qual ficou sabendo pela imprensa. O presidente do Senado queria que Lula escolhesse o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para a vaga.

Durante a inauguração do primeiro Centro de Radioterapia do Amapá, obra financiada com recursos federais, o senador agradeceu o apoio do Planalto e elogiou a postura do chefe do Executivo.

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“Padilha, leve meus agradecimentos, pessoais e institucionais, ao presidente da República, que tem nos apoiado e apoiado o Amapá a todo instante”, disse Alcolumbre ao ministro da Saúde, Alexandre Padilha, presente na cerimônia.

O senador afirmou ainda que Lula demonstrou “sensibilidade” ao viabilizar a obra, considerada por aliados como a “menina dos olhos” de sua trajetória política.

O gesto ocorre em meio a semanas de tensão entre Senado e Planalto, intensificadas pela indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Alcolumbre vinha criticando a escolha e chegou a protagonizar embates públicos com o governo. A fala desta sexta-feira, no entanto, foi interpretada como tentativa de reaproximação.

Segundo interlocutores, Alcolumbre buscou reforçar a imagem de que, apesar das divergências, mantém diálogo institucional com o Executivo. “Leve ao presidente da República meus agradecimentos, tanto pessoais quanto institucionais”, reiterou o senador.

A inauguração do centro, localizado em Macapá, marca um avanço na infraestrutura de saúde do estado, que até então não contava com serviço próprio de radioterapia. A obra recebeu investimentos federais e é vista como estratégica para o atendimento de pacientes oncológicos na região.

O episódio foi lido por analistas como um sinal de distensão nas relações entre os Poderes. A aproximação pode abrir espaço para negociações futuras em pautas de interesse do governo e do Senado, especialmente em temas sensíveis como orçamento e indicações ao Judiciário.

Contexto político:

  • A relação entre Alcolumbre e Lula vinha marcada por atritos desde novembro, quando o presidente indicou Jorge Messias ao STF.
  • O senador, que já presidiu a Comissão de Constituição e Justiça, criticou a escolha e ampliou a tensão com o Planalto.
  • O aceno desta sexta-feira é visto como movimento estratégico para preservar influência política e manter canais de diálogo.