Algas predadoras estão causando problemas em vasta área do interior. (Foto Divulgação)


Um plano de ações foi apresentado pela Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística ao Fórum de Integração das Ações de Recuperação do Rio Tietê (FIAR-Tietê), com o objetivo de enfrentar a proliferação de algas e macrófitas no Rio Tietê. Esse problema, agravado pelas altas temperaturas médias registradas na região, resulta de um processo chamado eutrofização, caracterizado pelo acúmulo excessivo de nutrientes como fósforo e nitrogênio na água, provenientes principalmente de esgoto doméstico não tratado, resíduos industriais e agrícolas. Esse ambiente rico em nutrientes favorece o crescimento acelerado dessas plantas aquáticas, como as lentilhas-d’água.

A proliferação excessiva de algas e macrófitas causa impactos negativos no ecossistema, como redução de oxigênio na água, prejudicando peixes e outras espécies subaquáticas. Além disso, compromete a qualidade da água para consumo humano e pode gerar emissões de gases nocivos, além de liberar toxinas que afetam a saúde de pessoas e animais.

Entre as medidas apresentadas está a criação de um Grupo de Fiscalização Integrada (GFI), que atuará em toda a extensão do rio, focando nos locais mais críticos. Esse grupo será composto por representantes de diferentes órgãos, como a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), Polícia Ambiental e prefeituras das cidades cortadas pelo Tietê. Sua função será fiscalizar fontes poluidoras, como derramamento de esgoto irregular e resíduos industriais, além de reforçar a coleta e o tratamento de esgoto em áreas atendidas e não atendidas pela Sabesp.

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Outro destaque do plano é a liberação do canal de navegação na barragem de Barra Bonita, onde foi registrada uma elevada proliferação de plantas aquáticas. O manejo dessas plantas será realizado de forma gradual, com monitoramento constante da qualidade da água e medições diárias de oxigênio. Novas estações de monitoramento serão instaladas, permitindo o acompanhamento em tempo real da qualidade das águas por meio do Sistema Integrado de Monitoramento de Qualidade das Águas (SIMQUA), que já conta com 20 estações em operação.

A longo prazo, o plano propõe medidas para minimizar os impactos ambientais, como o isolamento de áreas navegáveis e a articulação com produtores rurais para adoção de práticas agrícolas sustentáveis. O objetivo principal é reduzir a poluição difusa e eliminar o lançamento de esgoto no rio.

Além das ações imediatas, a reunião no FIAR-Tietê destacou a importância de um esforço coletivo e integrado para recuperar o equilíbrio ecológico do Rio Tietê, enfrentando os desafios históricos associados à eutrofização e aos impactos do aquecimento global.