BRASIL EM FOCO
Germano Oliveira*
Jair Bolsonaro e seu séquito não desistem de pleitear a anistia ampla, geral e irrestrita para salvar a pele do ex-presidente e de seu grupo de aloprados que, depois de tramarem um golpe de Estado, querem agora passar uma borracha nas penas que receberam do Supremo Tribunal Federal. A punição mais expressiva, como não poderia deixar de ser, atinge o ex-capitão, considerado pela Justiça como o chefe da organização criminosa que desejava nos mergulhar em um novo período de trevas, com a supressão da democracia.
O ex-mandatário da República não aceita nem mesmo acatar as regras da tal PEC da Dosimetria. Ou seja, a lei que poderia reduzir as penas dos condenados pelo STF no caso da tentativa de golpe. Como se sabe, Bolsonaro foi condenado a uma pena de 27 anos e 3 meses pelos crimes aos quais foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República. Por esse acordo, comandado pelo deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força, Bolsonaro poderia ter a pena reduzida para uns 21 anos de cadeia. Isso faria diferença. Afinal, com a pena de 27 anos, ele teria que ficar pelo menos 6 anos em regime fechado, enquanto uma condenação a 21 anos lhe proporcionaria um período fechado de quatro anos.

Bolsonaristas aloprados
Depois das manifestações por todo o país que reuniram mais de 100 mil pessoas neste domingo, 21/9, tanto a anistia quanto a Lei da Dosimetria sofreram um baque, e ninguém aposta mais um tostão na viabilidade de uma ou de outra vigorar no Senado, onde essas leis terão que passar. Os senadores estão dando demonstrações de bom senso, ao contrário dos insanos deputados, que transformaram a Câmara num covil de lobos contra os interesses da sociedade civil. Só pensam nos milhões que lhes proporcionam as emendas parlamentares. O povo passa a ser apenas um subproduto das eleições no ano que vem. Os bolsonaristas não passam de aloprados em busca do poder.
Por sorte, a Câmara não é a palavra final no Congresso nem nos poderes constituídos. No Senado, a lei da impunidade ou a lei da bandidagem não deve passar. Mas, se for aprovada, ainda temos o reduto da legalidade, que é o Supremo Tribunal Federal. Lá, os ministros devem considerar inconstitucional essa lei, que permite aos congressistas praticarem crimes sem serem processados pela Justiça. Uma vergonha.

*Germano Oliveira é Diretor do BRASIL CONFIDENCIAL.





