Ilustração divulgada pela NASA mostra como a Orion ficará no momento da reentrada na atmosfera da Terra. (Foto: NASA)


A missão espacial Artemis 2 chega ao seu momento mais crítico nesta sexta-feira (10), por volta das 21h no horário de Brasília. A cápsula Orion, que transporta quatro astronautas, deve amerissar no Oceano Pacífico, próximo ao litoral de San Diego, na Califórnia. O retorno marca o fim de uma jornada histórica, na qual a tripulação estabeleceu o recorde de maior distância já percorrida pelo ser humano a partir da Terra.

A reentrada na atmosfera

O processo de reentrada é considerado uma das etapas mais arriscadas da missão. A Orion atingirá a atmosfera terrestre a mais de 40 mil km/h, velocidade equivalente a 40 vezes a de um avião comercial. O ângulo de entrada precisa ser calculado com extrema precisão: um desvio de apenas um grau pode resultar em desastre, queimando a cápsula ou arremessando-a de volta ao espaço.

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Durante a descida, o escudo térmico enfrentará temperaturas de cerca de 3.000 °C, enquanto o ar ao redor pode chegar a 10.000 °C. O calor extremo gera plasma que bloqueia temporariamente as comunicações por cerca de seis minutos, deixando a tripulação em silêncio absoluto até que o contato seja restabelecido.

Proteção térmica e ajustes

A cápsula Orion é equipada com o escudo ablativo AVCOAT, desenvolvido originalmente para o programa Apollo. O material é projetado para degradar de forma controlada, irradiando calor de volta à atmosfera. Apesar de problemas registrados na missão Artemis I, quando pedaços do escudo se desprenderam, engenheiros decidiram manter o mesmo sistema, mas com ajustes na trajetória para reduzir riscos.

Desaceleração e pouso

A Orion foi projetada para ser pouco aerodinâmica, usando o arrasto da atmosfera como freio. Isso prolonga a reentrada para cerca de cinco minutos, limitando a força g a níveis suportáveis pelos astronautas. Dois paraquedas de desaceleração serão acionados a 6,7 km de altitude, reduzindo a velocidade para cerca de 322 km/h. Em seguida, os principais abrirão a 1,8 km, suavizando a queda para 32 km/h antes do impacto controlado no oceano.

Airbags infláveis garantirão que a cápsula permaneça na vertical, facilitando a saída da tripulação. Equipes de resgate estarão posicionadas no Pacífico para receber os astronautas.

Uma missão épica

Após dez dias de viagem e um sobrevoo histórico da Lua, a Artemis 2 demonstra a capacidade da Nasa de levar humanos cada vez mais longe e trazê-los de volta em segurança. O diretor de voo Rick Henfling resumiu o momento decisivo: “É ali que realmente começa a diversão”.

O sucesso da reentrada será o último passo para consolidar a Artemis 2 como marco fundamental na preparação para futuras missões à Lua e, eventualmente, a Marte.