Dois homens armados abriram fogo contra fiéis reunidos na praia de Bondi. Um dos suspeitos foi morto e o outro está sob custódia em estado crítico. Autoridades investigam possível terceiro envolvido.
A Austrália viveu neste domingo um dos episódios mais violentos de sua história recente. Um ataque a tiros durante uma celebração do Hanukkah, na praia de Bondi, em Sydney, deixou 16 mortos e 40 feridos, entre eles dois policiais. O atentado, classificado como ato terrorista pelas autoridades locais, ocorreu no primeiro dia do festival judaico das luzes.
Segundo a polícia de Nova Gales do Sul, dois homens armados dispararam contra a multidão que participava da cerimônia. Um dos atiradores foi morto no local, enquanto o outro foi detido em estado crítico. As forças de segurança não descartam a possibilidade de um terceiro cúmplice.
Entre as vítimas fatais está o rabino Eli Schlanger, de 41 anos, nascido em Londres. Um cidadão israelense também morreu. O jornalista Arsen Ostrovsky, representante do Australia/Israel & Jewish Affairs Council em Sydney e colaborador do Jerusalem Post, está entre os feridos.
O comissário assistente da polícia, Mal Lanyon, afirmou que o estado de saúde dos feridos é grave e que todos foram encaminhados a hospitais da região. Ele também confirmou que um objeto suspeito, possivelmente um artefato explosivo, foi retirado de um carro próximo à praia. A área foi isolada para investigação.
Durante coletiva de imprensa, o primeiro-ministro de Nova Gales do Sul, Chris Minns, declarou que o ataque foi “deliberadamente planejado para atingir a comunidade judaica de Sydney”. Minns destacou o ato de bravura de um homem de 43 anos, vendedor de frutas, que conseguiu desarmar um dos atiradores, mesmo após ser atingido por dois disparos. O homem encontra-se hospitalizado e seu estado de saúde é estável.
As imagens do atentado, que circularam nas redes sociais, mostram o pânico entre os presentes, com pessoas correndo enquanto tiros e sirenes ecoavam pela orla. Tais cenas são raras na Austrália, país que possui uma das legislações mais rígidas do mundo em relação ao porte de armas, implementada após o massacre de Port Arthur em 1996.
O primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, classificou o ataque como “chocante e angustiante”. A ministra das Relações Exteriores, Penny Wong, condenou o atentado como “repugnante” e reiterou que “terrorismo, antissemitismo, violência e ódio não têm lugar na Austrália”.
A comunidade internacional reagiu com veemência. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que “o antissemitismo não tem lugar neste mundo” e expressou solidariedade às vítimas. O secretário-geral da ONU, António Guterres, declarou-se “horrorizado” e condenou o “ataque hediondo e mortal” contra famílias judias. “O Hanukkah celebra o milagre da luz vencendo a escuridão. Hoje, essa luz foi atacada”, afirmou.
O presidente de Israel, Isaac Herzog, classificou o atentado como “cruel contra os judeus”. Já o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu acusou o governo australiano de “alimentar o antissemitismo” ao reconhecer o Estado palestino. No Brasil, a Confederação Israelita (Conib) manifestou “profunda consternação e solidariedade à comunidade judaica australiana”.
O diretor da agência de inteligência australiana (ASIO), Mike Burgess, afirmou que o nível de ameaça terrorista no país permanece como “provável” e que as investigações continuam para identificar possíveis conexões dos autores com outras células ou indivíduos.


