Lixo recolhido no rio Pinheiros em instalação em forma de peixe. (Foto: Divulgação)


Grande parte dos resíduos retirados diariamente do Rio Pinheiros tem origem no descarte irregular de lixo nas ruas da cidade. Com as chuvas, materiais como garrafas PET, embalagens de isopor e até móveis são arrastados para galerias pluviais e, em seguida, despejados no canal.

Esse processo, conhecido como poluição difusa, amplia os impactos ambientais. Além de comprometer a qualidade da água, os resíduos afetam a fauna local — capivaras e aves são frequentemente vistas em meio ao lixo acumulado.

Segundo técnicos da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), o problema não se limita ao aspecto visual. O acúmulo de resíduos prejudica a drenagem urbana, aumenta o risco de enchentes e eleva os custos de manutenção do sistema hídrico.

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O diretor da SP Águas, Nelson Lima, afirma que o descarte inadequado é um dos maiores desafios da operação. “A cada chuva forte, toneladas de lixo chegam ao rio. Sem a colaboração da população, o esforço de limpeza perde eficiência”, disse.

Regiões como Jaguaré, Itaim Bibi, Morumbi, Vila Olímpia, Panamby e Capão Redondo estão entre as áreas que mais contribuem para o problema, segundo levantamento da Semil.

Consequências para a cidade

Enchentes: o lixo acumulado obstrui galerias e compromete o escoamento da água.
Impacto ambiental: resíduos plásticos e químicos afetam a fauna e a flora do entorno.
Custo público: o Estado já investiu R$ 212,6 milhões apenas na remoção de resíduos flutuantes desde 2023.
Qualidade de vida: a poluição reduz o potencial de uso recreativo e paisagístico do rio.

O programa Integra Tietê, que prevê investimentos de R$ 23,5 bilhões até 2029, busca enfrentar o problema de forma estrutural. Além da coleta de resíduos, já foram removidos 5 milhões de m³ de sedimentos e conectados 1,5 milhão de domicílios à rede de esgoto.