O Banco Master repassou R$ 126,6 milhões entre 2022 e 2025 à Mídias Promotora LTDA, empresa sediada no Rio de Janeiro cujo sócio-administrador, Gilson Bahia Vasconcelos, é réu por estelionato e beneficiário do auxílio emergencial.
O caso, revelado nesta sexta-feira (24), expõe suspeitas de fraude contra aposentados e levanta dúvidas sobre a transparência dos contratos do banco.
Segundo as investigações, entre 2022 e 2025, o Banco Master classificou como “pagamentos por prestação de serviços” as transferências milionárias à Mídias Promotora LTDA. A empresa foi aberta em 2020 com capital social de R$ 1 milhão, justamente no ano em que seu sócio, Gilson Bahia Vasconcelos, recebeu cinco parcelas de R$ 600 do auxílio emergencial, totalizando R$ 3.000.
Apesar dos repasses vultosos, a Mídias acumula dívida ativa de R$ 12,5 milhões com a União por não pagamento de impostos. O montante recebido a coloca como o terceiro maior prestador de serviços do Banco Master, atrás apenas de duas empresas ligadas a figuras próximas da instituição.
Em 2024, ano em que Vasconcelos chegou a ser preso preventivamente por quase um mês, a Mídias recebeu R$ 96 milhões, a maior fatia dos pagamentos.
As acusações
O Ministério Público do Rio de Janeiro aponta Vasconcelos como um dos líderes de um esquema de fraude contra aposentados e pensionistas do INSS. Segundo a denúncia, o grupo usava o programa Vanguard para acessar dados das vítimas.
Operadores de call center ofereciam cartões de desconto e, em encontros presenciais, coletavam imagens para reconhecimento facial.
Essas imagens eram usadas para firmar contratos de empréstimo consignado em nome dos idosos, com os valores desviados em seguida.
Além do processo criminal, Vasconcelos é citado em outras ações civis movidas por supostas vítimas de fraudes envolvendo crédito consignado. Uma pensionista da Marinha relatou ter depositado R$ 47 mil em sua conta após ser induzida a contratar um empréstimo, sem receber os rendimentos prometidos.



