O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luís Roberto Barroso, afirmou nesta sexta-feira (26) que a Corte deve avaliar uma resposta institucional às sanções impostas pelos Estados Unidos contra autoridades brasileiras.
A declaração foi feita durante conversa com jornalistas que acompanham o dia a dia da Corte, às vésperas de sua saída da presidência do tribunal, marcada para a próxima segunda-feira.
As sanções, baseadas na Lei Magnitsky, incluem suspensão de vistos e restrições financeiras a ministros do STF, em decorrência das condenações relacionadas à tentativa de golpe de Estado em janeiro de 2023.
Barroso ponderou que qualquer reação deve ocorrer apenas após o encerramento dos julgamentos e dos recursos pendentes.
“O Supremo é uma instituição que tem responsabilidade institucional. Não se trata de uma reação emocional, mas de uma resposta política e diplomática que será avaliada no momento oportuno” — afirmou o ministro.
Barroso também revelou ter conversado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o episódio. Segundo ele, o chefe do Executivo demonstrou otimismo quanto à possibilidade de diálogo com o presidente norte-americano Donald Trump, mas mantém postura cautelosa diante da crise diplomática.
“O presidente Lula está esperançoso, mas prudente. A diplomacia brasileira é sólida e saberá conduzir esse processo com serenidade” — disse.
Ao fazer um balanço de sua gestão à frente do STF, Barroso classificou como “única frustração” a impossibilidade de promover a pacificação nacional após os episódios de radicalização política e institucional.
“Há pessoas presas por envolvimento no golpe que não querem a pacificação do país. Isso é um obstáculo real” — lamentou.
O ministro também destacou avanços na transparência e na comunicação institucional do Supremo durante sua presidência, mas reforçou que o ambiente político ainda exige esforço conjunto para reconstruir pontes entre os Poderes e a sociedade.


