Redução da atividade econômica era uma estratégia adotada pelo BC com juros altos para retrair inflação. (Foto: Redes Sociais)


A economia cresceu apenas 0,3%, um ritmo bem mais lento do que a expansão de 1,5% do primeiro trimestre. O próprio Banco Central já havia dito que essa desaceleração era esperada no combate à inflação

O Banco Central informou nesta segunda-feira (18) que o Índice de Atividade Econômica, a prévia do Produto Interno Bruto, o PIB, registrou uma forte desaceleração no segundo trimestre.

A economia – diz o Boletim Focus – cresceu apenas 0,3%, um ritmo bem mais lento do que a expansão de 1,5% do primeiro trimestre. O próprio Banco Central já havia dito que essa desaceleração é esperada e faz parte da estratégia de combate à inflação.

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O Banco Central divulgou nesta segunda-feira os dados que confirmam o arrefecimento da atividade econômica brasileira. De acordo com o Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), a chamada “prévia do PIB”, a economia do país cresceu 0,3% no segundo trimestre deste ano, na comparação com o trimestre anterior. Os resultados foram calculados com ajuste sazonal, uma espécie de “compensação” para tornar a comparação mais justa.

A forte desaceleração se torna evidente quando o resultado é comparado ao primeiro trimestre deste ano, quando o IBC-Br teve uma expansão bem maior, de 1,5%. Apesar do ritmo mais lento, este é o oitavo resultado positivo consecutivo do indicador. A última vez que a atividade econômica encolheu foi no terceiro trimestre de 2023, com queda de 0,6%.

Setores

Os dados divulgados hoje pelo Banco Central mostram claramente que a desaceleração da economia foi impulsionada pelo desempenho misto dos setores. O setor de serviços foi o principal motor da expansão, com um crescimento robusto de 0,7%. Já a indústria teve um crescimento mais modesto, de apenas 0,1%. O grande peso para a desaceleração veio da agropecuária, que registrou uma retração significativa de 3,1%, após ter sido o principal motor de crescimento nos primeiros três meses do ano.

Para o Banco Central, essa desaceleração no ritmo da economia não é uma surpresa. A instituição tem dito claramente que um ritmo menor de crescimento faz parte da estratégia de conter a inflação no país. O BC avalia que isso é um “elemento necessário para a convergência da inflação à meta [de inflação, de 3%]”.

Juros altos e o ‘hiato do produto’

A desaceleração da economia no segundo trimestre já era esperada tanto pelo mercado financeiro quanto pelo próprio Banco Central, que tem mantido a taxa de juros em patamares elevados para conter as pressões inflacionárias. A taxa Selic está, atualmente, em 15% ao ano, o maior nível em quase 20 anos. O Banco Central tem sinalizado que os juros permanecerão neste patamar por um “período bastante prolongado” de tempo, e analistas dos bancos não esperam cortes antes de 2026.

Na ata da última reunião do Copom, o Comitê de Política Monetária, o Banco Central informou que o chamado “hiato do produto” segue positivo. Isso significa que a economia continua operando acima de seu potencial de crescimento, o que pode pressionar a inflação. O BC também informou que a atividade econômica doméstica “tem indicado certa moderação no crescimento e, ao mesmo tempo, apresentado dados mistos entre os setores e indicadores”.

O mercado financeiro estima um crescimento do PIB de 2,21% para 2025, em linha com a projeção do Banco Central, que é de 2,1%. No ano passado, a economia brasileira cresceu 3,4%.

O resultado oficial do PIB no segundo trimestre será divulgado em 2 de setembro pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir a evolução da economia.

Diferenças entre o IBC-Br e o PIB oficial

É importante ressaltar que o IBC-Br é considerado uma prévia, mas o cálculo do Banco Central é diferente do cálculo do IBGE. Enquanto o indicador do BC incorpora estimativas para a agropecuária, a indústria, o setor de serviços e os impostos, ele não considera o lado da demanda, que é um componente crucial no cálculo do PIB do IBGE.

Apesar das diferenças, o IBC-Br é uma ferramenta fundamental para o Banco Central na definição da taxa básica de juros do país. Isso porque um maior crescimento da economia pode gerar mais pressão inflacionária, o que influenciaria a decisão do BC em manter ou subir os juros para controlar os preços.

Desempenho em junho

O Banco Central também apresentou dados sobre o desempenho mensal da economia. Em junho, o IBC-Br registrou uma contração de 0,1% na comparação com maio. Mesmo assim, houve uma melhora em relação ao mês anterior, quando o indicador teve uma retração maior, de 0,7%. Essa foi a segunda queda mensal consecutiva do IBC-Br, cuja última alta mensal foi em abril, de 0,1%.

Na comparação com junho de 2024, a prévia do PIB teve alta de 1,4% (sem ajuste sazonal). No acumulado do primeiro semestre de 2025, o crescimento foi de 3,2% em relação ao mesmo período de 2024. Já em 12 meses até junho, a expansão da atividade econômica foi de 3,9%.