BRASIL EM FOCO
Germano Oliveira*
O bolsonarismo está em crise e o racha interno aumenta na medida em que se aproxima o período da desincompatibilização dos políticos que devem ser candidatos na eleição de outubro. No caso do PL, que abriga a candidatura da oposição para enfrentar o presidente Lula no pleito que acontece dentro de oito meses, a do senador Flávio Bolsonaro, que o ex-presidente Jair Bolsonaro escolheu para ser o seu presidenciável de estimação, a divisão interna é latente. Isso acontece principalmente porque muita gente dentro do partido não deseja a candidatura do 01. Muitos ainda desejariam que o candidato fosse o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.

Uma dessas pessoas é a ex-primeira-dama Michelle, que não está nada satisfeita com a decisão do marido, que está impondo o nome de Flávio para ser o cabeça de chapa do PL. Como presidente do PL-Mulher, Michelle já deixou claro isso mais de uma vez, inclusive com mensagens nas redes sociais.
Ela nunca fez questão de esconder sua resistência ao nome do senador e já sugeriu, inclusive, que o melhor nome seria o do governador paulista. Desde que o ex-capitão incensou o filho ao posto de seu candidato, sem consultar ninguém no partido, o PL-Mulher nem cita o nome de Flávio.
Tarcísio enfurecido

Essa decisão de Bolsonaro acabou até mesmo deixando o governador paulista enfurecido. Na semana em que o ex-mandatário escreveu uma carta de próprio punho assumindo a candidatura do primogênito, para levar seu legado adiante, Tarcísio chegou a desmarcar uma visita à Papuda, onde o ex-capitão está preso.
Depois ele pensou melhor, a raiva amainou, e foi ao presídio falar com o seu mentor político. Lá, ouviu da própria boca do ex-presidente que teria que ser candidato à reeleição, deixando a disputa pela presidência para o filho.
Agora, Tarcísio vai ter que ficar com o governo paulista como prêmio de consolação, mas não estaria disposto a mexer seus pauzinhos pela candidatura de Flávio. Pode até ceder o palanque em São Paulo para o bolsonarista, mas não vai se matar de trabalhar por ele.
Nesse caso, o paulista vai se dedicar de corpo e alma à sua reeleição, deixando-o mais perto de uma candidatura à presidência em 2030.
Diante dessa estratégia, uma derrota de Flávio agora até o ajuda a ser o candidato da direita daqui a quatro anos.
Até porque o grande chefe do clã Bolsonaro é o próprio ex-presidente, e ele não estará na urna de 2030 exatamente porque ainda estará na cadeia, cumprindo a pena de 27 anos e 3 meses de reclusão. Além disso, estará inelegível até 2060.
Por isso mesmo, Tarcísio já trabalha intensamente por sua reeleição, lançando vários projetos e inaugurando inúmeras obras. Apesar de não precisar se desincompatibilizar do cargo em abril, porque isso não é previsto para candidatos que disputam mais um mandato, ele já está mudando secretários, dando a largada para a campanha. Esse é o caso da Secretaria de Segurança Pública, ao trocar Guilherme Derrite, oficial da PM, pelo delegado Nico Gonçalves, que é um policial bem mais eficiente e conectado com a mídia.
Carluxo X Amin

Além disso, há o racha que o filho 02, o ex-vereador Carlos Bolsonaro (RJ), o Carluxo, está provocando no PL de Santa Catarina. O pai está lançando-o candidato ao Senado na vaga dos catarinenses, contrariando as alianças que estão sendo feitas no estado e que unem o PL ao Progressistas. Por esse acordo, o PP lançaria o senador Esperidião Amin, que busca a reeleição, mas Carluxo está querendo essa vaga, irritando o PP, que ameaça romper a dobradinha entre os dois partidos.
Bolsonaro está numa sinuca de bico no Rio de Janeiro, seu estado de origem política. O candidato natural ao Senado pelo estado seria o governador Cláudio Castro (PL), mas os bolsonaristas preferem um nome mais ligado ao ex-presidente.
Na ausência de Flávio Bolsonaro, que terá que abandonar o Senado para ser candidato à presidência, o atual senador pelo partido, Carlos Portilho, deseja disputar a segunda vaga de senador juntamente com Castro. Mas o ex-capitão já está cogitando ter o pastor Sóstenes Cavalcanti como seu candidato ao salão azul do Congresso. Isso, com certeza, vai rachar ainda mais o PL fluminense. O partido dos Bolsonaro está ruindo.


