O Ministério da Justiça e Segurança Pública do Brasil e a Interpol anunciaram nesta segunda-feira (23) a criação de uma força integrada regional para combater organizações criminosas na América do Sul, com foco no tráfico internacional de drogas.
A iniciativa será coordenada e financiada pelo Brasil, por meio da Polícia Federal (PF) e do ministério. A sede ficará em Buenos Aires, na Argentina, onde já funciona o escritório regional da Interpol.
Estrutura e funcionamento
De acordo com o secretário-geral da Interpol, Waldecy Urquiza, o grupo atuará como uma “força integrada regional”, reunindo policiais de todos os países sul-americanos. Os agentes serão recrutados pela Interpol e terão acesso às bases de dados nacionais e internacionais para conduzir investigações conjuntas.
Essas informações servirão de base para operações internacionais voltadas à prisão de lideranças do crime organizado e à apreensão de bens ligados às atividades ilícitas.
Urquiza afirmou que a seleção dos policiais deve ocorrer em março e que o início das operações está previsto para maio. “Após diversas conversas com a área técnica do ministério, chegamos a esse modelo que permitirá uma atuação coordenada com os países da América Latina, principalmente com foco no enfrentamento ao crime organizado transnacional, especialmente o tráfico de drogas”, disse.
Inspiração nacional
O ministro da Justiça, Wellington Silva, destacou que a iniciativa se inspira nas Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (Ficco), já em funcionamento no Brasil. Esses grupos reúnem integrantes da Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Penal, além das polícias militares e civis dos estados.
Segundo Silva, a experiência brasileira mostrou que a integração entre diferentes forças policiais aumenta a eficiência no combate às organizações criminosas. “A cooperação internacional é necessária para enfrentar grupos que atuam em vários países e que têm capacidade de se reorganizar rapidamente”, afirmou.
Desafios e expectativas
Os órgãos não informaram o número de policiais que integrarão a força nem o valor que será destinado à sua manutenção. A ausência desses dados indica que a estrutura ainda está em fase de definição.
Especialistas em segurança pública avaliam que a criação de uma força regional pode representar um avanço no enfrentamento ao tráfico, já que a América do Sul concentra alguns dos maiores produtores e exportadores de drogas do mundo. O Brasil, por sua posição geográfica e extensão territorial, é considerado rota estratégica para o escoamento de entorpecentes.
A expectativa é que a nova força integrada consiga articular operações simultâneas em diferentes países, dificultando a atuação de organizações criminosas transnacionais.


