O presidente Lula discurso no encontro em Barcelona. (Foto: Ag. Gov.)


Os governos de Brasil, México e Espanha anunciaram neste sábado, em Barcelona, Espanha, uma coalizão para i o envio de ajuda humanitária a Cuba. O movimento ocorre em resposta ao agravamento da crise energética na ilha e funciona como um contraponto diplomático às recentes ameaças de intervenção sugeridas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

O comunicado conjunto, embora evite citar nominalmente o líder republicano, exige o estrito cumprimento do direito internacional e a soberania de Havana. A manifestação ocorre dias após Trump evocar ações militares no Irã e na Venezuela, acrescentando que “Cuba é a próxima”. Para os signatários da nota, a solução para a crise na ilha deve passar pela cooperação e não pela coação.

A situação interna em Cuba é descrita por moradores e observadores como crítica. A ilha enfrenta um déficit energético crônico que resulta em apagões diários, somado à escassez de combustíveis e suprimentos básicos. O líder cubano, Miguel Díaz-Canel, embora tenha iniciado canais de diálogo com a Casa Branca, vê na assistência de aliados uma salvaguarda contra o colapso total da infraestrutura do país.

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Críticas ao bloqueio e à ordem mundial

O anúncio foi o ponto central da Quarta Reunião de Alto Nível do Fórum Democracia Sempre. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, voltou a classificar o embargo econômico norte-americano como um entrave anacrônico ao desenvolvimento e à sobrevivência da população local.

Lula também utilizou o evento para questionar a eficácia das instituições globais. “É necessário reformar o Conselho de Segurança da ONU”, afirmou, criticando a incapacidade das potências em evitar conflitos armados. Ao seu lado estavam o presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, e a presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, além do colombiano Gustavo Petro, reforçando a frente progressista no debate sobre o fortalecimento democrático.

O Fórum Democracia Sempre, criado há duas décadas, consolidou-se neste encontro como um espaço de coordenação política em um momento de polarização global, reafirmando que a estabilidade de Cuba é uma prioridade para o equilíbrio regional na América Latina e para as relações transatlânticas com a Europa.