O Brasil precisa definir com clareza o rumo de sua transição climática e assumir protagonismo na articulação internacional por uma economia verde.
A avaliação é de Rafael Tello, presidente de Sustentabilidade da Ambipar, que participou ao vivo, nesta terça-feira (18), de entrevista ao programa BC TV, do canal Brasil Confidencial, direto da COP30, em Belém.
A entrevista foi conduzida pelos os jornalistas Camila Srougi e Germano Oliveira. Tello destacou aos apresentadores do BC TV a importância de consolidar políticas públicas voltadas à economia circular, à criação de hubs de reciclagem e ao fortalecimento da bioeconomia como pilares para transformar a gestão ambiental urbana e preservar a Amazônia.
A seguir, leia os principais trechos da entrevista:
Camila Srougi – Rafael Tello, qual sinal claro precisa surgir até o final da COP30 para garantir que o financiamento global para florestas realmente se concretize?
Rafael Tello – Estamos vendo uma articulação robusta entre governadores e países para transformar compromissos em ações concretas — tanto em recursos quanto em estratégias. Desde ontem, percebo mais entusiasmo, especialmente com a possibilidade de definirmos um caminho claro para a transição energética. Há um clima de otimismo entre os setores, com foco em metas reais: florestas, economia circular, transição energética e justa. A segunda semana da COP trouxe uma virada de ânimo.
Camila Srougi – Após os discursos, vem o desafio de implementar. Qual é o primeiro passo indispensável para o Brasil entrar na rota da transição climática?
Rafael Tello – Precisamos definir nosso caminho e comunicar melhor nossa proposta ao mundo. O Brasil tem metodologias valiosas — como soluções baseadas na natureza e pagamento por serviços ambientais — que geram ganhos reais. Mas ainda não conseguimos articulá-las internacionalmente com força. É essencial evoluir nessa articulação para levar nossa economia verde ao cenário global.
Germano Oliveira – Os eventos climáticos extremos já são realidade. Como a Ambipar está se preparando para apoiar governos e empresas na prevenção? Quais soluções podem mitigar esses impactos?
Rafael Tello – Atuamos com tecnologias de descarbonização, compensação de emissões e soluções para setores de difícil abatimento. Também oferecemos respostas a emergências, redução de riscos e limpeza industrial. Na COP30, é evidente que as empresas estão buscando essas inovações — ninguém está dizendo que “não dá”. Todos querem soluções. Além disso, a economia circular pode responder por até 45% da redução global de emissões. A Ambipar atua conectando empresas, cooperativas, prefeituras e catadores para transformar resíduos em recursos. Um exemplo é o hub de reciclagem de Ananindeua, que criamos em parceria com a prefeitura. Ele oferece equipamentos e remuneração justa aos catadores autônomos, evitando riscos à saúde pública. É uma solução concreta, alinhada ao espírito de implementação da COP.
Camila Srougi – A Ambipar atua em todos os biomas, mas na Amazônia, o que deveria ser prioridade?
Rafael Tello – A bioeconomia é central. A Amazônia regula o clima global, influencia chuvas, temperaturas e fertilidade do solo. Atuamos com conservação e educação ambiental, sempre promovendo o desenvolvimento produtivo das comunidades. A floresta precisa gerar renda com ela em pé. A Green Zone, aberta ao público aqui na COP30, mostra bem esse potencial: roupas, cosméticos e alimentos derivados da floresta. Essa visibilidade ajuda a quebrar preconceitos, ampliar escala, reduzir custos e gerar empregos. É o caminho para conciliar desenvolvimento econômico e preservação ambiental — e reverter a degradação do nosso maior bioma.
📺 A entrevista completa está disponível no canal BC TV:
O que são as cidades circulares da Ambipar?

O programa Cidades Circulares é uma iniciativa da Ambipar, empresa brasileira especializada em soluções ambientais, que visa transformar a gestão de resíduos sólidos urbanos por meio da economia circular. O conceito central é criar um ecossistema sustentável onde os resíduos deixam de ser lixo e passam a ser recursos reaproveitáveis.
Objetivos principais do programa
Implantar infraestrutura de triagem e reciclagem em parceria com cooperativas locais
Profissionalizar a cadeia de resíduos, promovendo capacitação e geração de renda
Conectar setor público, privado e sociedade civil para ações de logística reversa
Reduzir impactos ambientais e emissões de carbono
Fortalecer a inclusão produtiva de catadores e trabalhadores da reciclagem
Exemplos de implementação
No Pará, o programa foi expandido para os municípios de Ananindeua e Benevides, com a criação de um Hub de Reciclagem e parcerias com cooperativas como a COOTPA.
No interior de São Paulo, o projeto “Recicla Junto Consimares”, em parceria com empresas como Dow, Tetra Pak e CBA, já processa milhares de toneladas de recicláveis por ano.
Reconhecimento internacional
O programa foi premiado no SB COP Awards, durante a COP30, na categoria “Economia Circular e Materiais”, e também foi incluído no Banco de Soluções da Presidência da COP30, como exemplo de inovação em sustentabilidade urbana.
Impacto social e ambiental
Mais de 130 cooperativas já foram beneficiadas em diferentes regiões do Brasil.
O projeto promove um legado permanente de desenvolvimento sustentável, com foco nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU.
Ambipar é lider global em soluções ambientais

A Ambipar, multinacional brasileira com sede em Nova Odessa (SP), consolidou-se como referência mundial em gestão ambiental. Fundada em 1995, a empresa atua em mais de 40 países, com mais de 500 bases operacionais e um corpo técnico de 20 mil colaboradores, reafirmando sua presença global e sua vocação para a sustentabilidade.
Com forte atuação nas Américas, Europa e outras regiões estratégicas, a Ambipar lidera o setor com soluções inovadoras voltadas à preservação do meio ambiente. Entre suas principais frentes de atuação estão a gestão de resíduos industriais, respostas a emergências ambientais, reciclagem e transformação de resíduos, além da remoção de poluentes e do gerenciamento de crises ambientais.
A empresa desenvolveu mais de 100 soluções ambientais e detém 25 patentes em tecnologias voltadas à sustentabilidade. Um dos destaques é o Projeto REDD+ Ateles, voltado à preservação da floresta amazônica em São Félix do Xingu (PA), com foco na conservação da biodiversidade.
A iniciativa rendeu à Ambipar o reconhecimento internacional: a companhia foi eleita quatro vezes como a melhor desenvolvedora de projetos florestais do mundo pelo Green Project Awards.


