A Human Rights Watch (HRW) alertou nesta quarta-feira (4) que o Brasil deve reformular urgentemente suas políticas de segurança pública, focando na neutralização da influência de facções criminosas dentro das instituições estatais. Segundo o Relatório Mundial 2026, a infiltração do crime organizado nos órgãos de poder é uma das maiores ameaças à democracia e aos direitos humanos no país.
O documento, que analisa a situação de mais de cem nações, destaca que a segurança pública será um divisor de águas nas próximas eleições presidenciais, refletindo a principal preocupação do eleitorado brasileiro em pesquisas recentes.
O câncer da infiltração institucional
César Muñoz, diretor da HRW no Brasil, detalhou a gravidade da corrupção sistêmica. Segundo ele, o combate ao crime não pode se limitar ao confronto ostensivo nas ruas enquanto as instituições estiverem comprometidas por dentro.
“As facções cooptam agentes públicos para proteger as suas atividades ilícitas. Essa infiltração no poder público às vezes também envolve políticos, principalmente em nível local”, afirmou Muñoz. “Essa é uma face muito perigosa do crime organizado, pois pode corromper as instituições por dentro.”
O relatório enfatiza que o modelo atual de segurança é ineficiente contra a inteligência financeira e política das facções. A organização defende que as autoridades brasileiras priorizem investigações baseadas em inteligência para mapear e cortar os vínculos entre criminosos e o funcionalismo público.
O que é a Human Rights Watch?
A Human Rights Watch (HRW) é uma organização internacional não governamental, sem fins lucrativos, dedicada à investigação e à exposição de violações de direitos humanos em todo o mundo. Fundada em 1978, a entidade é composta por profissionais de diversas áreas, incluindo advogados, jornalistas e acadêmicos.
- Missão: Documentar abusos, publicar relatórios detalhados e pressionar governos por mudanças políticas.
- Independência: Para manter sua neutralidade, a HRW não aceita financiamento governamental, sendo mantida por doações de indivíduos e fundações privadas.
- Relatório Mundial: É a publicação anual mais importante da ONG, servindo como um “check-up” global dos direitos civis e liberdades fundamentais.





