A Defesa Civil Palestina informou que ataques israelenses mataram 17 pessoas na Faixa de Gaza nesta quarta-feira (4). O exército de Israel disse que as ofensivas foram uma resposta a disparos contra seus soldados, que deixaram um oficial gravemente ferido no norte do enclave.
Nos últimos dias, dezenas de palestinos conseguiram atravessar a passagem de Rafah, que liga Gaza ao Egito. Nesta manhã, novos bombardeios atingiram o território. Segundo a Defesa Civil, entre as vítimas estão mulheres e crianças.
Ofensiva no norte e no sul de Gaza
O exército israelense afirmou que os ataques ocorreram nos bairros de Tuffah e Zeitoun, a leste da Cidade de Gaza, próximos à Linha Verde — limite entre a área controlada pelo Hamas e a zona sob domínio israelense.
Outros bombardeios atingiram casas e tendas no sul do enclave, incluindo campos de deslocados internos em Khan Younis e áreas próximas a Rafah. Israel disse que as ações foram “de precisão”, realizadas com aeronaves e veículos blindados.
No norte, 14 pessoas morreram e dezenas ficaram feridas. Elas foram levadas ao Hospital al-Shifa, na Cidade de Gaza. O diretor da unidade, Mohammed Abu Salmiya, afirmou que os hospitais enfrentam “situação extremamente difícil” por falta de medicamentos e equipamentos.
Outros três corpos foram encaminhados ao Hospital Nasser, em Khan Younis, após ataques aéreos contra tendas e casas na região, segundo a Defesa Civil.
A ofensiva ocorre enquanto um cessar-fogo deveria estar em vigor no território palestino.
Fronteira reaberta em Rafah
Os ataques aconteceram dois dias após a reabertura da passagem de Rafah, na fronteira com o Egito, em ambas as direções. A medida, adotada na segunda-feira (2), permitiu a saída de doentes e feridos para tratamento no Egito. No sentido contrário, alguns palestinos conseguiram retornar ao enclave.
Entre eles está Rotana Atya Al Reqeb, que havia deixado Gaza há 11 meses para acompanhar a mãe em tratamento cardíaco em Al Arish, no Egito. Ela relatou que o retorno foi marcado por constrangimentos:
“Durou três horas… do lado palestino. A embaixada palestina falou comigo e me interrogou; carimbaram nossos passaportes e depois fomos levadas para o exército israelense. Chamaram minha mãe e outras pessoas, nos levaram embora, pediram que esperássemos em um lugar, nos algemaram, vendaram nossos olhos e nos fizeram perguntas sem sentido como: ‘Por que vocês querem voltar para Gaza?’. Normalmente, você não pergunta a alguém por que quer voltar para o seu país…”.
Autoridades israelenses e egípcias afirmaram que até 150 pessoas poderiam deixar Gaza diariamente e que cerca de 50 palestinos que saíram durante a guerra teriam permissão para retornar. Os números, no entanto, estão longe de se concretizar.


