Caracas, a capital venezuelana, amanheceu em clima de tensão neste sábado (3).
Filas se formaram em farmácias e supermercados, enquanto grupos de mensagens instantâneas se encheram de vídeos e relatos sobre a captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, anunciada em redes sociais por Donald Trump.
Nas ruas do leste de Caracas, o silêncio predominava. Uma farmácia que funciona 24 horas permaneceu fechada durante a manhã, e um supermercado da mesma região manteve as portas abaixadas, com clientes aguardando do lado de fora.
“Você sabe o que aconteceu?”, perguntou uma moradora em voz baixa, do lado de fora de uma praça. “Saí para comprar remédio para os nervos, mas a farmácia estava fechada.”
Moradores relataram cheiro semelhante ao de gás lacrimogêneo, lembrando os protestos de 2017. Em prédios próximos, houve gritos de euforia após a circulação da mensagem sobre Maduro, mas a reação durou poucos segundos.
Reação da oposição
A oposição ao governo considera o episódio um marco após anos de mobilizações, boicotes eleitorais e participação em disputas consideradas arriscadas. Em 2024, o Conselho Nacional Eleitoral, controlado por aliados do chavismo, havia declarado vitória de Maduro sem apresentar provas, o que gerou protestos.
“É o que esperávamos há muito tempo”, disse José Hernández, estudante universitário que participou das manifestações de 2019. “Tentamos eleições, tentamos marchas, mas nada funcionou. Se for verdade, é o início de uma nova etapa.”
Apoio internacional
Entre opositores, há manifestações de apoio às ações dos Estados Unidos, vistas como último recurso para encerrar o governo. “Se não fosse por eles, estaríamos condenados a mais décadas de ditadura”, afirmou María González, comerciante de Caracas.
Já entre apoiadores de Maduro, crescem dúvidas sobre o paradeiro do presidente e sobre quem exerce o poder. “Ninguém sabe onde ele está. O silêncio é assustador”, disse um funcionário público que pediu anonimato.
Temor de instabilidade
Analistas apontam que o episódio pode ampliar a instabilidade em um país marcado por crise política, econômica e social prolongada. “A ausência de informações oficiais abre espaço para rumores e aumenta a insegurança”, avaliou o cientista político Luis Salamanca.
Muitos compartilham o medo de que o ataque e a anunciada saída de Maduro possam desencadear uma desestabilização ainda maior. “Estamos cansados de viver em incerteza. Cada notícia é um terremoto”, resumiu uma mona radora do bairro de Chacao.




