A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt. (Reprodução: Redes Sociais)


A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou nesta terça-feira (9) que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, “não tem medo de usar meios econômicos nem militares para proteger a liberdade de expressão ao redor do mundo”.

A declaração foi dada durante entrevista coletiva, em resposta a uma pergunta sobre o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no Supremo Tribunal Federal (STF).

O questionamento partiu do jornalista Michael Shellenberger, do site Public News, que perguntou se Trump estaria “considerando ações adicionais, dado que parece que vão resultar em uma condenação contra o presidente Bolsonaro, impedindo-o de concorrer”. Leavitt respondeu: “O presidente [dos EUA, Donald Trump] não tem medo de usar meios econômicos nem militares para proteger a liberdade de expressão ao redor do mundo”.

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A porta-voz reforçou que a liberdade de expressão é uma prioridade para a atual administração norte-americana. “A liberdade de expressão é a questão mais importante dos nossos tempos. Presidente Trump leva isso muito a sério, e por isso tomamos ações contra o Brasil”, disse.

Apesar do tom enfático, Leavitt afirmou que, por ora, “não há nenhuma ação adicional” prevista contra o governo brasileiro. A Embaixada dos Estados Unidos no Brasil republicou a fala da porta-voz em suas redes sociais.

A manifestação da Casa Branca ocorre em meio ao julgamento de Bolsonaro e outros sete réus acusados de tentativa de golpe de Estado. O ministro Alexandre de Moraes, relator do processo na Primeira Turma do STF, votou pela condenação do ex-presidente e dos demais integrantes do chamado núcleo duro da trama golpista — grupo que, segundo a denúncia, tentou impedir a posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e manter Bolsonaro no poder.

Os réus respondem por cinco crimes, e, caso sejam condenados com a pena máxima em todas as acusações, podem cumprir até 43 anos de prisão. Moraes classificou Bolsonaro como “líder de uma organização criminosa” e afirmou que os atos golpistas começaram em 2021 e se estenderam até janeiro de 2023, envolvendo integrantes do governo federal e das Forças Armadas.

A declaração de Leavitt marca um novo capítulo na tensão diplomática entre os dois países, com Washington reiterando sua disposição de agir em defesa da liberdade de expressão, inclusive com o uso de sanções e tarifas, como já ocorreu anteriormente.

Gleisi critica EUA por fala de uso de “poder militar” contra o Brasil

A ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffman, criticou nesta terça-feira (9) declaração do governo dos Estados Unidos de que o país poderia usar seu “poder militar” para retaliar o Brasil por causa do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro. 

Mais cedo, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que o presidente Donald Trump não teme em usar “meios militares” em defesa da liberdade de expressão no mundo.

Em uma postagem nas redes sociais, a ministra afirmou que chegou ao “cúmulo” a “conspiração da família Bolsonaro contra o Brasil”, apontando para a articulação conduzida pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro para que os EUA sancionem o Brasil.

“Não bastam as tarifas contra nossas exportações, as sanções ilegais contra ministros do governo, do STF e suas famílias, agora ameaçam invadir o Brasil para livrar Jair Bolsonaro da cadeia. Isso é totalmente inadmissível'”, disse a ministra.

Ela defendeu ainda a cassação do deputado federal, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. 

“Ainda dizem que estão defendendo a “liberdade de expressão”. Só se for a liberdade de mentir, de coagir a Justiça e de tramar golpe de Estado; estes sim, os crimes pelos quais Bolsonaro e seus cúmplices estão sendo julgados no devido processo legal”, acrescentou.