BRASIL EM FOCO
Germano Oliveira*
Agora não tem mais choro nem vela. A hora de Jair Messias Bolsonaro ir para a cadeia chegou, finalmente. E não é por que ele foi responsável por milhares de pessoas mortas na pandemia da Covid-19, e quando ele imitava, com elevada dose de ironia, os pobres velhinhos que sucumbiam nos hospitais por falta de oxigênio e de vacinas. Ele deve ir para trás das grades porque está chegando ao final a ação penal que deve levá-lo para o presídio da Papuda, em Brasília, no início do mês que vem, depois que o ministro Cristiano Zanin, presidente da 1ª Turma, do Supremo Tribunal Federal (STF), ter marcado para o dia 2 de setembro o início do julgamento do ex-presidente e outros sete companheiros pela tentativa de golpe no final de 2022, culminando com a invasão das sedes dos Três Poderes no dia 8 de janeiro de 2023.
O que para Bolsonaro é parte da sua agonia, para grande parcela da população começa, no dia 2, um acerto de contas do ex-presidente com a comunidade que ele prejudicou durante anos. O voto do ministro Alexandre de Moraes, relator do processo, portanto, é apenas uma etapa a ser vencida do julgamento mais importante da história recente do País. O evento, contudo, só deve acabar no dia 12 de setembro, depois dos votos dos ministros Cármen Lúcia, Luiz Fux, Flávio Dino e Cristiano Zanin, o último a dar seu voto, em razão de presidir a 1ª Turma da Corte.
Fux pedirá vistas?
A tensão política, paralelamente, vai fazer o caldeirão bolsonarista ferver nas ruas, principalmente pelo fato de o julgamento acontecer em meio ao feriado de 7 de Setembro. Isso, porém, se o ministro Fux não pedir vistas, como se suspeita, e adiar a sentença final. Caso isso aconteça, o processo ficará na gaveta do STF, obrigatoriamente, até o início do ano que vem.
Mas, daí, Fux manchará a dignidade dos valorosos ministros do Tribunal, que desejam virar essa triste página da nossa tenra democracia. A esperança é que o ex-presidente do STF não ceda às pressões vindas do bolsonarismo, e – pior – da máquina de sustentar sandices orquestrada pelo deputado Eduardo a partir de Washington, com a participação do celerado Donald Trump.
Cassação à vista
Os próximos dias serão especialmente exemplares para a família Bolsonaro. Enquanto o pai pode experimentar um longo período na prisão – fala-se em uma pena superior a 30 anos -, o filho 03 deve começar a planejar o que vai fazer após o patriarca da famíglia sair de combate e ele poderá, desde já, se preparar para ficar sem mandato e sem poder visitar o papai aqui no Brasil, sob ameaça de ter a prisão decretada também pelo ministro Alexandre de Moraes. Razões não lhe faltam. O certo, ou quase inevitável, é que Eduardo acabe virando ex-deputado logo-logo, já que sua batata está assando na Câmara, que tem tudo para cassar seu mandato. PT e PSOL já formalizaram o pedido de sua cassação. O castigo sempre vem e a Justiça tarda, mas não falha.
Longe das urnas eletrônicas
E Jair, que está inelegível até 2030, não conseguirá, desta vez, ajudar o filhote, como sempre fez. Afinal, a fonte que lhe permitiu enviar R$ 2 milhões para sustentar o rebento em suas fanfarronices nos Estados Unidos vai ter secado quando ele estiver vendo o sol nascer quadrado. Ambos não poderão, nem mesmo, participar das eleições no ano que vem. O ex-presidente, certamente, não terá razão sequer de pedir para votar, embora preso possa fazê-lo. É que ele, obviamente, não fará questão de usar as urnas eletrônicas, que nunca respeitou.




