Agente bancário, que oferece crédito para liquidar saldo do cheque especial, onde juros são altos. (Foto Redes Sociais)


O cheque especial está mais caro do que nunca. A taxa média dos seis principais bancos pesquisados pelo Procon-SP para essa modalidade chegou a 7,96% ao mês, uma marca próxima ao teto de 8% definido pelo Banco Central em 2019. Embora não tenha havido alteração nos números este mês, é importante destacar o impacto financeiro que essa taxa representa.

Para traduzir isso em valores reais, imagine que você precise usar R$1.000 do cheque especial por 30 dias. Com uma taxa de 7,96%, você pagará R$79,60 apenas de juros no próximo mês – um valor que pode parecer pequeno à primeira vista, mas que, ao longo do tempo, se torna um peso significativo no orçamento. Se a dívida se mantiver por mais tempo e acumular juros compostos, o saldo pode rapidamente ultrapassar a soma inicial, colocando o consumidor em uma bola de neve de endividamento.

A situação torna-se ainda mais preocupante quando olhamos para o histórico das taxas de crédito em geral. No caso do empréstimo pessoal, por exemplo, a taxa média subiu para 8,23% ao mês em abril, o maior índice dos últimos cinco anos. Desde abril de 2021, quando essa taxa era de 6,11%, houve um aumento de 2,1 pontos percentuais. Os números mostram uma tendência crescente que deve ser vista com muita atenção.

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Dados apurados pelo Procon-SP

As informações usadas nesta análise foram coletadas pelo Procon-SP em 2 de abril de 2025. A pesquisa envolveu seis instituições financeiras: Banco do Brasil, Bradesco, Caixa Econômica Federal, Itaú, Safra e Santander. Durante o levantamento, foi possível observar que, enquanto a taxa de empréstimo pessoal registrou leve alta, o cheque especial manteve-se próximo ao limite legal estabelecido pela Resolução nº 4.765 do Banco Central.

O que significa para o consumidor?

Especialistas alertam que, diante desses índices elevados, usar o cheque especial ou contratar empréstimos devem ser decisões tomadas com extrema cautela e apenas em situações de real necessidade. Além de comparar as taxas de juros, é fundamental analisar o Custo Efetivo Total (CET), que engloba todos os encargos cobrados. É comum que uma instituição financeira com a menor taxa de juros não seja necessariamente a mais barata, devido a outros custos ocultos.

Mais do que nunca, é essencial evitar o superendividamento. A contratação de crédito deve ser usada como um último recurso para não comprometer a saúde financeira da família. As taxas podem parecer pouco expressivas num primeiro momento, mas os números mostram que elas estão no limite – e, para muitos consumidores, isso pode significar cair em uma armadilha financeira difícil de sair.