A China respondeu às ameaças do presidente americano, Donald Trump, de aplicar uma tarifa adicional de 10% sobre produtos de países que se alinham às políticas dos Brics. Em entrevista coletiva em Beijing, a porta-voz do Ministério do Exterior chinês, Mao Ning, afirmou que o Brics se concentra na cooperação entre emergentes e não é contra outros países.
“O mecanismo Brics é uma plataforma importante para a cooperação entre mercados emergentes e países em desenvolvimento”, destacou Mao Ning. “Defende abertura, inclusão e cooperação ganha-ganha e não tem nenhum país como alvo.” A porta-voz também reiterou a posição da China sobre guerras comerciais e tarifárias, afirmando que “não há vencedores” e que o protecionismo “não leva a lugar nenhum”.
Declaração do Rio de Janeiro
A cúpula do Brics no Brasil, que teve o primeiro-ministro Li Qiang como representante chinês, divulgou a Declaração do Rio de Janeiro. O documento expressa oposição a “medidas protecionistas unilaterais que causam disrupções deliberadas nas cadeias globais de fornecimento e produção e distorcem a concorrência”. Além disso, a declaração manifesta “sérias preocupações com o aumento de medidas tarifárias e não tarifárias unilaterais que distorcem o comércio e são inconsistentes com as regras da OMC”.
Reforma da governança global
Li Qiang defendeu que os países do Brics sejam “a vanguarda na reforma da governança global”. Ele destacou que “mudanças que não eram vistas há um século estão se desenrolando hoje a um ritmo acelerado, as regras e a ordem internacionais estão sendo severamente desafiadas, e a autoridade e a eficácia das instituições multilaterais continuam a diminuir”.
A reação da China às ameaças de Trump ocorre em um contexto de crescente tensão comercial entre os EUA e os países do Brics. Analistas econômicos alertam que uma guerra comercial pode ter consequências negativas para a economia global, prejudicando principalmente os próprios EUA.


