As negociações diretas entre representantes dos Estados Unidos e do Irã tiveram início neste sábado (11) em Islamabad, segundo a agência estatal iraniana IRNA. Após semanas de contatos indiretos, delegações dos dois países se reuniram separadamente com o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, para apresentar suas condições em busca de um acordo de paz.
A delegação americana foi liderada pelo vice-presidente JD Vance, enquanto o Irã enviou o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Qalibaf. As propostas expostas revelaram posições ainda distantes: Teerã exige o fim garantido da guerra, o levantamento das sanções econômicas, controle sobre o Estreito de Ormuz e a interrupção dos ataques israelenses ao Hezbollah no Líbano. Washington, por sua vez, condiciona qualquer avanço a restrições ao programa nuclear iraniano e à reabertura imediata do estreito.
Conflito já deixou mais de 4 mil mortos
A guerra provocou até agora pelo menos 3.000 mortes no Irã, 1.953 no Líbano, 23 em Israel e mais de uma dezena em países árabes do Golfo. O bloqueio do Estreito de Ormuz reduziu drasticamente o fluxo de petróleo e gás, elevando o preço do barril Brent acima de 94 dólares — uma alta superior a 30% desde o início dos combates.
Em Teerã, moradores relataram à Associated Press desconfiança diante das negociações, mas também esperança de que possam abrir caminho para a reconstrução. “A paz sozinha não basta. Sofremos perdas enormes e o povo terá de pagar por isso”, disse Amir Razzai Far, de 62 anos.
Pressão militar e retórica política
Enquanto as conversas ocorriam no Paquistão, Israel manteve ataques no sul do Líbano, que segundo autoridades locais mataram ao menos três pessoas. O governo israelense insiste que o cessar-fogo com o Irã não deve incluir uma pausa na ofensiva contra o Hezbollah, o que ameaça inviabilizar qualquer acordo.
Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump afirmou que Teerã utiliza o Estreito de Ormuz como instrumento de “extorsão” e garantiu que a rota será reaberta “com ou sem eles”. Já o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, declarou que o país entra nas negociações com “profunda desconfiança” e está preparado para retaliar caso volte a ser atacado.
Próximas etapas
Negociações diretas entre Israel e Líbano estão previstas para terça-feira em Washington. Tel Aviv exige que o governo libanês assuma a responsabilidade de desarmar o Hezbollah, conforme estipulado em um cessar-fogo assinado em novembro de 2024. A capacidade do exército libanês de cumprir essa exigência, porém, permanece incerta.
O futuro das conversas entre EUA e Irã dependerá da disposição de ambos os lados em flexibilizar suas exigências. Por ora, o bloqueio do Estreito de Ormuz segue como principal carta de pressão de Teerã e como fator de instabilidade para a economia global.




