A escalada de tensões no Oriente Médio atingiu um novo patamar neste domingo (15) com sirenes de alerta soando no sul de Israel após o lançamento de um projétil pelo grupo terrorista Hamas, conforme divulgado pelas Forças de Defesa de Israel (IDF).
O incidente é um lembrete sombrio da complexidade do cenário regional, onde o conflito entre Israel e Irã se aprofunda e arrasta outros atores. “Lembrete: ainda estamos em uma guerra em várias frentes”, publicou a IDF no X.
Ainda neste domingo, cinco pessoas morreram em Teerã, capital do Irã, após um ataque israelense atingir um prédio residencial, segundo informações da Agência France-Presse. Este incidente se soma a um balanço de mortos e feridos que cresce exponencialmente. Durante a noite e a madrugada de sábado para domingo, caças israelenses bombardearam Teerã, mirando reservatórios de combustível e o Ministério da Defesa iraniano, enquanto o Irã lançou mísseis balísticos contra Israel, alguns dos quais escaparam do sistema de defesa. Pelo menos 10 pessoas morreram e mais de 200 ficaram feridas em Israel com os ataques mais recentes, segundo os serviços de emergência do país. “Nossos irmãos e irmãs foram assassinados e feridos em consequência dos ataques criminosos iranianos contra a população civil em Bat Yam, Tamra e outros lugares”, publicou o presidente israelense, Isaac Herzog, em sua conta no X.
Essas vítimas se somam às 3 pessoas mortas em Israel e a pelo menos 80 mortos no Irã nos primeiros dias da ofensiva israelense – que mirou a indústria nuclear e a elite política iraniana – e da retaliação de seu rival. Embora as autoridades iranianas não tenham divulgado um balanço posterior, a organização Human Rights Activists, com sede em Washington, calcula que ao menos 400 pessoas morreram desde o início do conflito no país persa. O embate é um dos mais violentos da história da inimizade de décadas entre Israel e Irã, acendendo o alerta de uma guerra mais ampla que pode envolver os Estados Unidos.
Diante do cenário, o ministro de Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, pediu aos países islâmicos que tomem medidas coletivas contra as crescentes violações do direito internacional por Israel. Durante uma conversa telefônica com Hissein Brahim Taha, secretário-geral da Organização de Cooperação Islâmica (OCI), Araqchi classificou o ataque como uma grave ameaça à estabilidade regional e global, reafirmando o direito do Irã à autodefesa e a prontidão das Forças Armadas para defender a soberania do país. O secretário-geral da OIC expressou preocupação e destacou que a organização trabalharia com as Nações Unidas para mobilizar apoio internacional e evitar uma maior instabilidade na região.
A comunidade internacional observa com apreensão. O presidente da Turquia, Tayyip Erdogan, telefonou para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elogiando as recentes afirmações do republicano sobre a busca pela paz entre Israel e Irã. Erdogan pediu a Trump que tome medidas para evitar um desastre na região e ofereceu a Turquia como facilitadora nas negociações. Mais cedo, Trump havia sinalizado que os EUA poderiam se envolver no conflito e reiterated a possibilidade de Vladimir Putin, presidente russo, atuar como mediador.
Ainda sobre o papel dos EUA, a Reuters informou que Donald Trump teria vetado um plano israelense para assassinar o líder supremo do Irã nos últimos dias. Questionado, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, recusou-se a comentar, classificando a informação como “muitos relatos falsos sobre conversas que nunca aconteceram”.
Paralelamente, os líderes do Grupo dos Sete (G7) devem emitir uma declaração conjunta sobre o conflito Israel-Irã, pedindo a desescalada das tensões, segundo um funcionário do grupo à Reuters.
A guerra tem ramificações regionais e internas. O grupo rebelde houthi, com sede no Iêmen, afirmou ter lançado vários mísseis contra Israel, em ataques coordenados com seu principal apoiador, o Irã. Em Israel, o apoio americano ao país na guerra contra o Irã tem dividido a base de apoio a Trump nos EUA.
Em meio à escalada, o exército israelense orientou os iranianos que vivem perto de instalações de armas em todo o país a evacuarem a área. “Para sua segurança, pedimos que evacuem imediatamente e se abstenham de retornar até novo aviso”, publicou o porta-voz militar Avichay Adraee em sua conta no X, em árabe e persa. Israel já havia emitido um alerta de evacuação para iranianos que residem perto de instalações de armas no Irã.


