O Congresso Nacional realizou nesta quarta-feira (12) uma sessão solene em homenagem aos quatro policiais mortos durante a Operação Contenção, deflagrada nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, em 28 de outubro.
A cerimônia contou com a presença de familiares dos policiais militares Heber Carvalho da Fonseca e Clei Serafim Gonçalves, e dos policiais civis Rodrigo Velloso Cabral e Marcus Vinícius Cardoso de Carvalho. Também foram homenageados o governador do Rio, Cláudio Castro (PL), e as polícias Militar e Civil do estado.
A proposta da homenagem foi apresentada pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI), que classificou como necessário o reconhecimento da atuação dos agentes na operação, considerada a mais letal já registrada no país, com 121 mortes — entre elas, as dos quatro policiais.
Durante a sessão, foram entregues placas em reconhecimento à bravura dos agentes e ao esforço das forças de segurança na preservação da ordem pública. Participaram da solenidade autoridades estaduais e federais, entre elas:
Cláudio Castro, governador do Rio;
Marcelo de Menezes Nogueira, secretário da Polícia Militar do Rio;
Victor Cesar Carvalho dos Santos, secretário estadual de Segurança Pública;
Felipe Lobato Curi, secretário da Polícia Civil do Rio;
Marcelo Corbage, comandante do Bope;
Fabrício Oliveira, coordenador da Core;
Sandro Torres Avelar, secretário de Segurança Pública do Distrito Federal;
Ciro Nogueira, presidente da sessão.
Em discurso, Nogueira afirmou que “a guerra contra a violência” é dirigida às organizações criminosas, e não às comunidades. “Mais de 90% do povo que vive nestas comunidades é inocente, trabalhador e nosso aliado”, disse.
O deputado federal Doutor Luizinho (PP-RJ), coautor do requerimento, classificou a operação como um “marco no enfrentamento à criminalidade” e defendeu o reconhecimento do Congresso ao trabalho dos policiais.
Segundo o governo fluminense, a operação resultou na morte de 117 suspeitos, na apreensão de 93 fuzis e na prisão de 113 pessoas. Dos 100 mandados judiciais expedidos, apenas 20 foram cumpridos. O principal alvo da ação, Edgar Alves de Andrade, o Doca, apontado como líder do Comando Vermelho, não foi localizado.
A operação foi criticada por entidades de direitos humanos, associações de moradores e especialistas, que a classificaram como ineficaz. A Anistia Internacional considerou a ação “desastrosa”.
Durante a sessão, Castro reiterou que os únicos mortos da operação foram os quatro policiais e criticou os limites impostos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) às ações policiais em comunidades, estabelecidos pela ADPF das Favelas. A decisão, tomada em 2020, restringe operações em áreas próximas a escolas e hospitais e exige comunicação prévia ao Ministério Público.
“O Brasil acordou”, disse o governador, referindo-se a pesquisas que indicam apoio popular à operação.


