Daniel Vorcaro vende o Banco Master e se retirará da presidência. (Foto: Divulgação)


Um consórcio de investidores liderado pela Fictor Holding Financeira anunciou nesta segunda-feira (17) a compra do Banco Master S.A., em uma transação que prevê um aporte inicial de R$ 3 bilhões. O negócio ainda depende da aprovação do Banco Central e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

A operação representa uma reviravolta no setor bancário brasileiro e encerra a trajetória de Daniel Vorcaro, fundador e principal acionista do Master, que venderá a totalidade de sua participação e deixará a instituição. O executivo, que comandava o banco desde 2019, passará a se dedicar exclusivamente à sua holding patrimonial.

Segundo comunicado divulgado pela Fictor, o consórcio conta com a participação de investidores internacionais, incluindo fundos soberanos dos Emirados Árabes Unidos. A nova gestão promete manter a sede do banco em São Paulo e ampliar a atuação no crédito corporativo e na estruturação de operações financeiras.

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Crise e recuos

A venda ocorre dois meses após o Banco Central vetar a tentativa de aquisição do Master pelo Banco de Brasília (BRB), em uma operação que havia sido anunciada como estratégica para a expansão do banco estatal no Sudeste. A negativa do BC, segundo fontes do setor, teria sido motivada por preocupações com a governança e a exposição a ativos de risco do Master.

Nos últimos anos, o banco enfrentou dificuldades para manter sua carteira de crédito saudável. A instituição ampliou sua atuação no financiamento de empresas de médio porte e no setor imobiliário, segmentos que sofreram com a alta dos juros e o desaquecimento da economia. Em 2024, o Master registrou prejuízo líquido de R$ 412 milhões, revertendo o lucro de R$ 98 milhões do ano anterior.

A deterioração dos indicadores financeiros levou a agência Fitch a rebaixar a nota de crédito do banco em março de 2025, citando “fragilidade na liquidez e concentração de riscos”. A decisão acelerou a busca por um novo controlador.

Contexto político e econômico

A transação ocorre em meio a um cenário de incerteza econômica e instabilidade política. O governo federal enfrenta dificuldades para aprovar medidas de ajuste fiscal no Congresso, enquanto o Banco Central mantém a taxa básica de juros em patamar elevado para conter a inflação persistente.

A venda do Master também reacende o debate sobre a entrada de capital estrangeiro no sistema financeiro nacional. Embora a participação de fundos internacionais em bancos brasileiros não seja inédita, a presença de investidores do Oriente Médio em uma operação de médio porte é vista como sinal de diversificação do interesse externo.

Especialistas ouvidos pela reportagem avaliam que a aprovação do negócio pelo BC e pelo Cade não deve enfrentar obstáculos significativos, desde que os novos controladores apresentem garantias de solidez financeira e planos de governança robustos.

A Fictor informou que, após a aprovação regulatória, será eleito um novo presidente para o banco. A expectativa é que a transição ocorra ainda no primeiro semestre de 2026. A instituição manterá sua marca e estrutura operacional, mas deve passar por uma reestruturação interna.

Além do Banco Master S.A., a operação inclui a venda do Banco Master de Investimentos e do Will Bank, que estão sendo negociados separadamente com outros grupos. A Fictor não comentou sobre os valores envolvidos nessas transações paralelas.