Em reunião realizada neste sábado, 29, o Conselho de Administração dos Correios aprovou a contratação de um empréstimo de R$ 20 bilhões junto a cinco instituições financeiras. O pacote, segundo interlocutores, foi apresentado por Banco do Brasil, BTG Pactual, Citibank, ABC Brasil e Banco Safra, e atende integralmente ao pedido da estatal para financiar seu plano de reestruturação.
O empréstimo terá garantia do Tesouro Nacional, que assumirá os pagamentos em caso de inadimplência. A decisão foi tomada após meses de negociações e consultas técnicas. A Caixa Econômica Federal chegou a participar das tratativas iniciais, mas não seguiu adiante.
Segundo fontes próximas ao governo, o plano de reestruturação já havia sido encaminhado em caráter confidencial ao Tesouro Nacional e ao Tribunal de Contas da União (TCU). O documento prevê três rodadas de captação: R$ 10 bilhões ainda em 2025 e outras duas de R$ 5 bilhões em 2026, totalizando os R$ 20 bilhões agora aprovados.
Em local de tradição para declarações oficiais, representantes da estatal afirmaram que a medida é “fundamental para garantir liquidez e preservar o papel estratégico dos Correios como operador nacional de logística”. O governo, por sua vez, reforçou que o empréstimo não representa risco fiscal imediato, já que será acompanhado de medidas de ajuste interno.
O anúncio ocorre em meio a uma crise prolongada: os Correios acumulam 12 trimestres consecutivos de prejuízos. A expectativa é que os recursos sejam aplicados em modernização tecnológica, revisão de contratos e fortalecimento da rede de distribuição.
“Este empréstimo é um passo decisivo para assegurar a sobrevivência da empresa e sua capacidade de atender a população”, declarou um interlocutor próximo ao conselho, em nota distribuída após a reunião.
Resumo objetivo dos trâmites aprovados
- Data da aprovação: 29/11/2025
- Valor total: R$ 20 bilhões
- Instituições envolvidas: Banco do Brasil, BTG Pactual, Citibank, ABC Brasil e Safra
- Garantia: Tesouro Nacional
- Rodadas previstas: R$ 10 bi em 2025 + R$ 5 bi em 2026 (duas vezes)
- Contexto: 12 trimestres de prejuízo; plano de reestruturação enviado ao Tesouro e TCU
Correios: uma empresa com 362 anos de história

A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) carrega uma história iniciada em 1663, com a criação do Correio-Mor da Capitania, em período colonial. Após ter o serviço postal estatizado em 1797 pela Coroa Portuguesa, a empresa evoluiu, lançou o “Olho de Boi” (1843) e, por fim, foi constituída como a atual ECT em 1969, visando modernizar e garantir o Serviço Postal Universal (SPU) em 100% do território nacional. Essa garantia é sustentada, em teoria, pelo monopólio constitucional sobre o envio de cartas.
O Cabide de Empregos e o Escândalo do Mensalão
A sustentação da empresa ao longo do tempo foi marcada, contudo, por crises de gestão e pelo uso político. A ECT, como diversas estatais brasileiras, se tornou historicamente um “cabide de empregos” — um mecanismo de loteamento de cargos de direção e gerência para atender a interesses de políticos e partidos aliados aos governos de plantão. Essa prática minou a eficiência e a sustentabilidade, dificultando a meritocracia e a modernização.
O ápice dessa disfunção ocorreu com o escândalo de corrupção que culminou no chamado Mensalão. Em 2005, denúncias surgidas a partir de irregularidades nos Correios revelaram um esquema de propinas e pagamentos ilícitos a parlamentares em troca de apoio político ao governo federal. A crise expôs a fragilidade da governança da empresa, demonstrando como ela era utilizada para fins alheios à sua missão postal.
A Crise Financeira e Estrutural Atual
Hoje, com cerca de 84 mil empregados (2025), a ECT divide sua atuação entre a Correspondência e a Logística de Encomendas (SEDEX/PAC). Suas operações são geridas por diretorias (Operações, Negócios, Financeira) e Superintendências Regionais.
Apesar da estrutura capilarizada, a empresa enfrenta uma crise que a levou a um prejuízo acumulado de R$ 6 bilhões até setembro de 2025.


