A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS recebeu menos de 1% dos documentos relacionados à quebra de sigilos do banqueiro Daniel Vorcaro, investigado no chamado caso Master. Os dados haviam sido enviados à Polícia Federal por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), após decisão do então relator do processo, o ministro Dias Toffoli, em dezembro. A medida determinou que o Senado recolhesse informações obtidas por meio de quebras de sigilo bancário, fiscal e telemático aprovadas pela comissão.
Segundo fontes ouvidas pelo g1, antes da nova decisão judicial a CPMI chegou a receber cerca de 450 gigabytes de documentos, grande parte relacionada ao sigilo telemático obtido junto à Apple, contendo dados armazenados em nuvem do celular do banqueiro. No entanto, após nova determinação do relator do caso no STF, o ministro André Mendonça, o material foi recolhido pela Polícia Federal para análise antes de ser reenviado à comissão.
Doze dias depois, os dados retornaram à CPMI drasticamente reduzidos: apenas 313 megabytes distribuídos em 206 arquivos. A diferença levantou questionamentos entre parlamentares, que buscam esclarecer se a filtragem ocorreu por iniciativa da Polícia Federal ou se seguiu orientação do próprio ministro relator. Mendonça também determinou que informações obtidas pela PF no âmbito da investigação no STF fossem compartilhadas com a comissão, o que ainda não ocorreu.
Nos bastidores, o episódio gerou divergências entre integrantes da CPMI. O presidente do colegiado, senador Carlos Viana (Podemos-MG), afirmou ter conversado com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e cobrou a entrega integral dos arquivos. Parte das mensagens já reveladas aponta para a proximidade de Vorcaro com integrantes dos Três Poderes, incluindo menções ao senador Ciro Nogueira e a um encontro com o ministro do STF Alexandre de Moraes. Essas conversas fazem parte do conjunto de informações que a CPMI tenta acessar para aprofundar as investigações sobre descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS.


