O Governo de Cuba anunciou a concessão de indulto a 2.010 prisioneiros, uma decisão descrita oficialmente como um “gesto solidário, humanitário e soberano”. A medida, vinculada às celebrações da Semana Santa, beneficia jovens, mulheres, idosos e estrangeiros que cumpriram parte considerável de suas penas e apresentaram bom comportamento.
O comunicado oficial sublinha que a seleção dos beneficiados partiu de uma “análise cuidadosa”, priorizando detentos com saúde debilitada. No entanto, o perdão exclui categoricamente condenados por crimes de sangue, agressão sexual, tráfico de drogas, corrupção de menores e reincidentes.
Este é o quinto indulto em massa realizado pela ilha desde 2011, totalizando mais de 11.000 pessoas libertadas sob este mecanismo na última década. “Trata-se de uma prática habitual em nosso sistema de justiça e da trajetória humanitária da Revolução”, afirma a nota do Executivo de Miguel Díaz-Canel.
O contexto político
Embora o Governo enquadre a libertação no calendário religioso e na relação com o Vaticano — seguindo o precedente de março, quando 51 detentos foram soltos após diálogos com a Igreja —, o anúncio ocorre sob o olhar atento da comunidade internacional.
Segundo a ONG Prisoners Defenders, pelo menos 24 dos libertados recentemente no país eram considerados presos políticos, a maioria detida após os protestos antigovernamentais de 11 de julho de 2021. As sentenças para esses casos, que incluem acusações de sedição e desacato, costumam variar entre seis e 18 anos.
A medida também coincide com uma aproximação diplomática discreta entre Havana e Washington. Apesar de o regime cubano negar qualquer correlação entre a soltura de prisioneiros e as negociações com os Estados Unidos, o gesto é lido por analistas como um esforço para aliviar tensões externas e internas em um momento de profunda crise econômica na ilha.



