O apoio popular à proposta de extinguir a jornada de trabalho de seis dias por um de descanso cresceu significativamente no Brasil, atingindo 71% da população, de acordo com uma nova pesquisa do instituto Datafolha divulgada neste domingo.
O aumento de sete pontos percentuais em relação aos 64% registrados em dezembro de 2024 ocorre em um momento de intensificação do debate legislativo, com a proposta avançando na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados.
O levantamento, que ouviu 2.004 pessoas em 137 municípios entre os dias 3 e 5 de março, revela uma queda na resistência à medida: 27% dos entrevistados agora se opõem à redução da jornada, em comparação aos 33% que eram contrários no final do ano passado.
A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, dentro de um nível de confiança de 95%.
O governo federal sinalizou apoio à mudança na última terça-feira, quando o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, afirmou que o país possui condições para reduzir a carga horária semanal de 44 para 40 horas. Segundo o ministro, a transição para a escala 5×2 — com dois dias de descanso remunerado — deve ser feita sem cortes salariais. Embora o impacto na qualidade de vida seja visto como positivo por 76% dos brasileiros, a percepção sobre os efeitos na economia nacional permanece dividida: 39% preveem consequências positivas, enquanto outros 39% antecipam reflexos negativos. No entanto, quando questionados sobre o impacto geral para o país, 50% dos entrevistados classificaram os efeitos como ótimos ou bons.
A adesão à proposta varia conforme o perfil demográfico e a situação empregatícia. Curiosamente, o apoio é menor entre quem trabalha seis ou sete dias por semana (68%) do que entre aqueles que já possuem escalas menores (76%). Analistas atribuem essa diferença ao fato de o grupo com maior carga horária incluir empresários e trabalhadores autônomos, que frequentemente associam horas extras a uma maior renda imediata.
A clivagem política também é acentuada. Entre os eleitores que votaram no presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2022, o apoio ao fim da escala 6×1 chega a 82%. Entre os eleitores do ex-presidente Jair Bolsonaro, o índice cai para 55%, com 43% de oposição. Geracionalmente, a medida é amplamente abraçada pelos jovens de 16 a 24 anos, com 83% de aprovação, enquanto o apoio cai para 55% entre a população com 60 anos ou mais.
As mulheres também demonstram maior entusiasmo pela mudança (77%) em comparação aos homens (64%).


