Bolsonaro insiste na candidatura, apesar de inelegível até 2030. (Foto Acervo)


Pesquisa do DataFolha divulgada neste domingo (6) revela que, apesar de o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) seguir se colocando como candidato à Presidência em 2026 —mesmo estando inelegível-, a maior parte da população acredita que ele deveria desistir de tentar disputar as próximas eleições.


Pesquisa aponta que apenas 28% do eleitorado acha que ele deveria manter sua candidatura, contra 67% que dizem que ele deveria apoiar outro nome.


O Datafolha entrevistou 3.054 pessoas com 16 anos ou mais em 172 municípios de terça (1°) até quinta-feira (3). A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

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Bolsonaro está inelegível até 2030 por decisão do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), que o condenou por abuso de poder em razão de reunião com diplomatas estrangeiros, oportunidade em que divulgou informações falsas sobre a segurança das urnas e pelo uso político da celebração de 7 de Setembro em 2022, data que o país deveria celebrar festivamente os 200 anos da independência.


O ex-presidente tem feito articulações políticas para viabilizar uma anistia aos presos pelo 8 de janeiro e tem também o objetivo de criar um ambiente favorável à recuperação de seus poderes políticos.

Bolsonaro e aliados como o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos)- endossam o discurso do ex-presidente, replicado também por parlamentares aliados, de que o candidato do grupo é ele.


Uma das hipóteses levantadas por aliados é que o ex-mandatário manteria a candidatura até o fim e faria o registro eleitoral no ano que vem —até ter a candidatura impugnada pela Justiça Eleitoral.


Entre o eleitorado que se declara fortemente bolsonarista, o discurso tem mais aderência, segundo a pesquisa.


Ao todo, 63% dos eleitores que se identificam dessa forma dizem que Bolsonaro deveria manter a candidatura, e 36%, que ele deveria abrir mão da disputa.


Aliados fazem críticas reservadas ao plano, uma vez que ele não daria tempo para que outro nome —como o próprio Tarcísio- pudesse se descompatibilizar do cargo atual para entrar na disputa.


Segundo a pesquisa Datafolha, 23% dos entrevistados disseram que Bolsonaro deveria apoiar a candidatura presidencial da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), índice tecnicamente empatado com o de 21% que disseram que o apoio deveria ser a Tarcísio.