A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) entregou nesta sexta-feira (22) ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma manifestação em que nega ter havido qualquer descumprimento de medidas cautelares impostas pela Justiça ou tentativa de fuga do país. A resposta foi apresentada após determinação do ministro Alexandre de Moraes, que deu 48 horas para esclarecimentos sobre suspeitas apontadas pela Polícia Federal (PF), incluindo o uso de redes sociais, plano de asilo na Argentina e continuidade de articulações ilícitas.
Os advogados argumentaram que há “vazio de indícios” nas acusações da PF e pediram a reconsideração da prisão domiciliar de Bolsonaro. Em relação ao uso de redes sociais, sustentaram que o ex-presidente não publicou mensagens diretamente, e que outros teriam feito postagens em suas próprias contas. Quanto ao suposto plano de fuga, a defesa afirmou que o rascunho de pedido de asilo político encontrado no celular de Bolsonaro era apenas uma sugestão recebida em fevereiro de 2024 e que jamais foi protocolada.
O documento citado pela PF tem 33 páginas e pedia urgência ao presidente argentino Javier Milei, alegando perseguição política e risco de prisão injusta. Segundo o relatório da PF, o texto foi criado e editado por um usuário identificado como “Fernanda Bolsonaro”, possível referência à nora do ex-presidente. A polícia aponta que o material seria evidência de preparação para evasão do país diante do avanço das investigações sobre a tentativa de golpe de Estado em 2022.
O julgamento da ação penal contra Bolsonaro e aliados está marcado para 2 de setembro no STF. O ex-presidente é réu por crimes como tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado e organização criminosa. A investigação também revelou mensagens entre Bolsonaro, seu filho Eduardo e o pastor Silas Malafaia, que apontam esforços coordenados para pressionar autoridades do Judiciário e influenciar o andamento das investigações.
Veja na íntegra a defesa dos advogados de Jair Bolsonaro:


