Uma explosão que deixou 32 feridos no Bahrein, logo no início do conflito no Oriente Médio, provavelmente foi causada por um sistema de defesa aérea operado pelos Estados Unidos. A conclusão é de uma investigação da agência de notícias Reuters, que contradiz a versão oficial de Washington e de Manama, que atribuíam o episódio ao Irã.
O incidente ocorreu em 9 de março no bairro residencial de Mahazza, na ilha de Sitra. Na ocasião, casas foram destruídas e civis ficaram feridos — alguns em estado grave, incluindo crianças.
O que diz a investigação
Pesquisadores do Middlebury Institute analisaram vídeos e imagens de satélite comerciais para reconstruir o trajeto do artefato. Os principais pontos da apuração indicam:
- Origem do disparo: O míssil partiu de uma bateria Patriot norte-americana localizada a cerca de 7 km de Mahazza.
- Falha técnica: Vídeos mostram o projétil voando em baixa altitude antes de explodir no ar sobre a área residencial.
- Provas: Analistas classificaram as evidências visuais como “praticamente incontestáveis”.
Versões conflitantes
Inicialmente, os governos do Bahrein e dos EUA acusaram o Irã pelo ataque. O bairro atingido fica próximo à refinaria de Al Ma’ameer, que de fato foi alvo de drones iranianos no mesmo período, em uma onda de retaliações contra países que abrigam bases militares dos EUA.
Após a divulgação dos dados pela Reuters, as autoridades mudaram o tom:
- Bahrein: Admitiu pela primeira vez que um míssil Patriot foi disparado, mas alegou que ele interceptou com sucesso um drone iraniano e que os danos em terra não foram causados pelo sistema de defesa.
- Estados Unidos: O Exército afirmou que “nunca tem civis como alvo”, mas não apresentou provas da presença de um drone iraniano no local exato da explosão em Mahazza.
O sistema Patriot
O Patriot, produzido pela empresa Raytheon, é o principal recurso de interceptação de mísseis e aeronaves de médio e longo alcance utilizado pelo Exército dos EUA. O Bahrein abriga a Quinta Frota da Marinha americana, e tanto as forças locais quanto as estrangeiras operam esse tipo de armamento no país.


