Condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a oito anos e três meses de prisão por invadir o sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o hacker Walter Delgatti Neto deixou a Penitenciária II “Dr. José Augusto Salgado”, em Tremembé (SP), conhecida como “presídio dos famosos”. Ele foi transferido para a Penitenciária II de Potim, também no Vale do Paraíba, onde cumpre pena em regime fechado.
Delgatti está preso há quase três anos. Em fevereiro de 2025, havia sido encaminhado a Tremembé, mas sua permanência durou menos de um ano. A transferência ocorreu junto com outros detentos. Ele foi transferido em dezembro.
A unidade de Potim já foi palco de tensão recente: em abril do ano passado, registrou um motim com bloqueio de celas e confrontos entre presos, que deixou três feridos.
Condenação no STF
Delgatti foi sentenciado por inserir documentos falsos no sistema do CNJ, entre eles uma ordem de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes, assinada em nome próprio. A Procuradoria-Geral da República (PGR) apontou que a invasão, em janeiro de 2023, buscava desacreditar o Judiciário e alimentar suspeitas sobre a eleição de 2022.
A ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) foi considerada mentora da ação. Condenada a dez anos de prisão e à perda do mandato, teve o nome incluído na lista de difusão vermelha da Interpol.
Histórico de condenações
Antes do caso CNJ, Delgatti já havia sido condenado em primeira instância a 20 anos de prisão por hackear autoridades ligadas à Operação Lava Jato. Esse processo, investigado na Operação Spoofing, ainda tramita na Justiça Federal em Brasília, e o hacker responde em liberdade enquanto aguarda julgamento em segunda instância.


