Bill Gates (Reprodução: redes sociais)


O bilionário Bill Gates, cofundador da Microsoft, anunciou nesta quinta-feira (8) fazer a doação de quase toda a sua fortuna pessoal nos próximos 20 anos. Ele disse que “os mais pobres do mundo receberão cerca de US$ 200 bilhões”, equivalente atualmente a R$ 1,1 trilhão.

Na semana passada, outro bilionário norte-americano, o investidor Warren Buffett, quinta maior fortuna do mundo, anunciou não só a aposentadoria aos 94 anos, como intenção de se desfazer da maior parte de sua fortuna para causas filantrópicas após sua morte, com um valor estimado em US$ 159,39 bilhões (cerca de R$ 900 bilhões). Ele deixará 99,5% da sua fortuna para fundações de caridade e apenas 0,5% para seus três filhos, que também serão milionários.


Segundo o empresário Gates, que revolucionou a tecnologia de computadores, a doação vai ser feita por intermédio de sua fundação, num momento em que governos ao redor do mundo estão reduzindo a ajuda internacional.
O bilionário afirmou que está acelerando os planos para se desfazer de sua fortuna e encerrar a Fundação Gates, o que deve acontecer em 31 de dezembro de 2045. “As pessoas dirão muitas coisas sobre mim quando eu morrer, mas estou determinado que ‘ele morreu rico’ não será uma delas”, escreveu Gates em uma postagem em seu site.

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Em uma crítica implícita ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pela redução da ajuda externa por parte dos Estados Unidos — maior doador do mundo —, a declaração de Gates disse que ele quer ajudar a evitar que recém-nascidos, crianças e mães morram de causas evitáveis, erradicar doenças como poliomielite, malária e sarampo, e reduzir a pobreza.
“Não está claro se os países mais ricos do mundo continuarão a apoiar os mais pobres”, acrescentou, destacando cortes de doadores importantes como Reino Unido e França.


Gates disse que, apesar da grande capacidade financeira da fundação, o progresso não seria possível sem o apoio dos governos.
Ele elogiou a resposta de países africanos aos cortes na ajuda, onde alguns governos remanejaram seus orçamentos, mas disse que, por exemplo, a poliomielite não será erradicada sem financiamento dos EUA.
Gates fez o anúncio no 25º aniversário da fundação, criada com sua então esposa Melinda French Gates em 2000, e posteriormente com a adesão do investidor Warren Buffett.


“Eu percorri um longo caminho desde que era apenas um garoto iniciando uma empresa de software com meu amigo da escola”, disse ele.
Desde a sua criação, a fundação já doou 100 bilhões de dólares, ajudando a salvar milhões de vidas e apoiando iniciativas como o grupo de vacinas Gavi e o Fundo Global de Combate à AIDS, Tuberculose e Malária.
Ela será encerrada após gastar cerca de 99% da fortuna pessoal de Gates, segundo ele. Os fundadores esperavam originalmente que a fundação fosse encerrada décadas após suas mortes.


Gates, que atualmente possui um patrimônio estimado em cerca de 108 bilhões de dólares, espera que a fundação gaste cerca de 200 bilhões até 2045, sendo o valor final dependente dos mercados e da inflação.
A fundação já é um dos principais atores na saúde global, com um orçamento anual que chegará a 9 bilhões de dólares até 2026.
A organização enfrentou críticas por seu enorme poder e influência na área, sem a devida prestação de contas, inclusive na Organização Mundial da Saúde (OMS).